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terça-feira, 31 de maio de 2016

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10 erros muito comuns ao se investir na Bolsa, provavelmente você já cometeu algum deles

O assunto que iremos abordar hoje é sobre as armadilhas que o investimento em Renda Variável nos reserva. Se você já é um investidor avançado muitos destes erros já devem ter sido estudados, mesmo assim recomendo a leitura. Acredito que este tipo de informação é aquela que exige uma releitura de tempos em tempos. Isso porque, muitas vezes nos esquecemos de monitorar erros que são quase inconscientes. Pode-se dizer que são ciladas silenciosas e a percepção delas pode não ser tão simples de identificá-las. Vamos a eles:

Erro n°1) Seguir a manada:

A predisposição dos investidores em seguir a multidão, ou o rebanho, é produto permanente da história financeira. Quem nunca caiu nesta armadilha de seguir o que um grande número de investidores está fazendo sem que haja um estudo próprio para balizar determinado movimento no mercado financeiro? Muitas vezes a “multidão” está certa, mas com frequência segui-la pode desviá-lo do caminho. Por isso, é tão importante entender o conceito da diferença entre aprender a analisar um ativo e seguir as recomendações que jorram abundantemente todos os dias. Recomendamos que você foque nos seus ativos e pouco queira saber o que os outros investidores estão fazendo. É preferível tomar as decisões baseadas na sua análise do que ficar atrás de dicas quentes que podem te trazer bastante dor de cabeça. Tentar ser o esperto que vai de encontro com o rebanho também é uma prática destrutiva para o investidor. O interessante é tentar não se influenciar, muitas vezes se isolando de locais onde esse tipo de efeito é percebido.
Siga os seus próprios caminhos, afinal de contas os seus planos e objetivos são importantes somente para você.


Erro n°2) Por que caiu, por que subiu?

Quem nunca ouviu perguntas deste tipo que atire a primeira pedra. Diariamente, vemos estes tipos de questionamento. Talvez seja chato dizer isso e pode tornar o mercado mais monótono mas os movimentos de mercado são em sua maioria aleatórios e não têm uma causa ou razão identificável. Os seres humanos têm profunda necessidade psicológica de saber por que determinada coisa ocorre. É ai que entram os jornalistas e “especialistas”. Eles se sentem mais que satisfeitos em preencher as lacunas em seu conhecimento com explicações grande parte das vezes equivocadas. 
Você pode aprender e absorver conhecimento dos especialistas e analistas mas seguir recomendações podem fazer mal a saúde da sua carteira.


Erro n°3) Aversão a perda:

Este é um viés psicológico que temos que conviver frequentemente quando o assunto é renda variável. Não é um exercício simples se livrar dos vieses psicológicos que prejudicam nossas escolhas. O conceito de aversão a perda refere-se a um ponto de referência que os indivíduos estabelecem para avaliar seus próprios desempenhos. Dito isso, foi constatado em estudos na área que os investidores ficam muito mais preocupados com a possibilidade de perder determinado valor do que ganhar o mesmo valor. Assim, o grande erro gerado pela aversão a perda é que as decisões de manter ou vender um investimento serão influenciadas pelo fato das ações estarem em alta ou em baixa. Em outras palavras, pelo fato de você ter tido um ganho ou uma perda.

Erro n°4) Pontos de referência ou ancoragem:

Talvez esse seja o erro mais comum de todos. Quem nunca pensou: entrei na Bolsa quando estava a 52.000 e agora atingiu em 38.000, está muito barata vou encher o carrinho! Pode ser que este investidor não esteja errado, mas só o fato de relacionar o ponto em que entrou na Bolsa com o patamar atual para balizar uma decisão já é um problema. Com frequência o ponto de referência é o preço de compra que os investidores pagam pela ação. Os investidores ficam tão obcecados por este ponto de referência, que chegam a desconsiderar qualquer outra informação. Richard Thaler, da Universidade de Chicago, que realizou um influente trabalho na área de comportamento do investidor chama isso de “contabilidade mental ou enquadramento estreito (narrow framing)”. Preço médio, preço de entrada, preço que atingiu ano passado, há 5 atrás...Não caia nesta armadilha! Utilize todas as suas ferramentas para tomar decisões baseadas em uma gestão eficaz, boa perspectivas, boa governança corporativa e por ai vai. Não em quanto está o meu preço médio e se eu vou aumentá-lo ou baixá-lo, pois isso não tem a menor importância para o acumulador de ativos de valor. 
Estes painéis coloridos são muito atraentes mas impregnados de armadilhas de ancoragem.

Erro n°5) Mania de tentar ficar de igual para igual:

Mais um erro bastante clássico. Neste caso, por exemplo, vamos dizer que você tenha comprado uma ação e ela meses depois desabe devido a algum motivo que tenha impactado fortemente a geração de caixa da Companhia. Com isso, há uma elevação de dívida líquida, prejudicando a estrutura de capital. Não é raro o investidor comprar uma ação de uma Empresa que está bem e este tipo de coisa acontece. Sem dúvida foi um erro do investidor mas o erro maior ainda neste caso é manter esta posição e virar torcedor, agonizando em frente ao Home Broker e torcendo para voltar ao preço de entrada. Em 1982, Leroy Gross escreveu um manual para os corretores de ações no qual ele chamou este fenômeno de “empatite (get-even-its desease)”, mania de tentar ajustar as contas e ficar de igual para igual. Ele afirmou que provavelmente esta mania já provocou mais destruição para as carteiras do que qualquer outro erro. 
Se chegou a conclusão que a posição é perdedora por que mantê-la? está com "empatite"? Se você não souber lidar com os seus erros é melhor não conviver com a Renda Variável.

Erro n°6) A dificuldade de admitir um erro:

É difícil admitirmos que fizemos um investimento ruim e é ainda mais difícil admitirmos esse erro perante os outros. Porém, para o investidor bem-sucedido, você não tem escolha a não ser reconhecer. As decisões sobre a sua carteira devem ser tomadas olhando-se para frente. Não é possível mudar o que ocorreu no passado. Trata-se de um “custo irrecuperável”. Atualmente, vemos um grande número de blogs e sites financeiros de trocas de ideias o que é bastante positivo. Entretanto, fica o alerta para que se monitore para não estar defendendo uma coisa sem embasamento lúcido e com medo de assumir seus erros perante os outros. Este erro só me faz lembrar um frase do grande investidor George Soros: “Eu só sou rico apenas porque sei quando estou errado. Eu basicamente sobrevivi reconhecendo os meus próprios erros.” 

Erro n°7) Qual o objetivo de realizar lucros para o investidor de longo prazo?

Algumas decisões na bolsa muitas vezes estão minadas de tendências psicológicas que muitas vezes nem processamos utilizando o nosso cérebro. Este é um caso clássico. Pesquisas demonstram que os investidores vendem suas ações por um ganho de 50% com maior frequência do que eles vendem em virtude da perda. Isso significa que as ações que estão acima do seu preço de compra são 50% mais propensas a serem vendidas do que as ações que demonstram perda. Essa estratégia ainda se mostra ruim do ponto de vista tributário, já que ao vender com lucro acima de R$ 20.000,00 em um mês você pagará imposto de renda. Não caia nesta tentação de vender ativos de qualidade e reter os ativos sem valor com medo de assumir prejuízo. Não realize lucro se o seu objetivo é acumular valor. Por isso, saia do que perdeu valor e deixe as Empresas que estão sendo bem geridas andarem naturalmente. Este erro me lembra das “Ten Baggers” de Peter Lynch. Este termo de investimento foi elaborado por Lynch para se referir a aquelas Empresas, onde o preço se eleva 10 vezes em relação ao seu preço de compra. Esta tendência justificou um crescimento do Maggelan Fund de 1977 a 1990 de 29,2% em média anualmente. 
Para que exatamente você vende suas posições vitoriosas? Para tirar onda com os seus colegas? Lá na frente você verá os efeitos negativos dessa mania.

Erro n°8) Falar para todo mundo sobre seus investimentos? Por que isso?

Não fale com os seus amigos a respeito de suas negociações. Tentar corresponder às expectativas de seus amigos o deixará ainda mais relutante a assumir uma perda ou admitir que você está errado. Você pode até não levar ao pé da letra a recomendação mas precisa entender que isso acontece com os seres humanos. Ao falar sobre suas operações você se envolve emocionalmente com ela e se for uma escolha errada você terá mais dificuldade de reconhecer a falha.
Confesso que já caí neste erro. Começou a falar muito sobre suas decisões de investimento ligue um alerta. Suas operações só interessam a você.

Erro n°9) Não misture a sua conta de acumulação de patrimônio com a conta de especulação.

Se você de fato gosta, crie uma pequena conta de negociação completamente separada do restante de sua carteira. Todos os custos de corretagem e todos os impostos devem ser pagos com os recursos dessa conta. Considere a possibilidade de que o dinheiro nessa conta de negociação pode ser perdido completamente, porque a probabilidade é grande. E você nunca deve superar o rígido limite que você estabelece com relação a quantia que deve colocar nessa conta. Se você gostar de fazer trades não há problema algum desde que se faça em contas separadas. 

Erro n°10) Opere pequeno.

Talvez uma das maiores lições que aprendemos na Bolsa é operar pequeno. Isso impedirá que o custo do erro seja muito grande. O aumento ou diminuição de posição alocada em alguma Companhia ou Fundo Imobiliário deve ser feito de forma gradual. Gostamos de chamar isso de micro movimentos. Uma das virtudes dos investidores que prosperam na bolsa é saber limitar seus riscos e se defender dos erros. Avance de posição sem pressa, estudando, se aprimorando e cada vez mais dominando os seus conhecimentos sobre os diferentes cases. 

Bom amigos, estes foram os 10 erros que nós investidores estamos sujeitos a cometer, além de outros não citados. Muitos desses erros estão ligados a vieses psicológicos que são denominados com o termo de "processos heurísticos". Aversão a perda, ancoragem, excesso de confiança e por ai vai. É um assunto muito interessante mas pouco abordado pelos investidores. Diria que são conceitos muito bons para o investidor ter ciência e se monitorar para não cair nestas armadilhas. Se você estiver cometendo algum desses erros seja grande, assuma, coloque uma pedra em cima disso e olhe para frente com atitudes de um bom operador.
Com certeza uma lição muito importante para nós investidores. O processo é lento, chato e as vezes monótono mas com o tempo a semente vai gerando seus frutos.

5 comentários:

  1. Muito boa a postagem. As pessoas, geralmente, esquecem de fazer o simples. E, o mais importante, é aprender a controlar o emocional.

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  2. Fala meu amigo Leo Gayer! muito bom você por aqui participando. É muito difícil criar uma lista de atitudes que se você seguir será um vencedor. Isso seria a diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho. Existem vários fatores importantes na jornada do investidor em renda variável. Concordo com você que controlar as emoções é muitíssimo importante. Uma coisa que acho curioso também, são aqueles investidores que tem uma visão de curto prazo e acham que estão fazendo Buy and Hold. Em minha concepção, este tipo de investimento se torna vitorioso se o operador permanecer anos e anos nas Empresas. Vejo muita gente analisando apenas os números puramente sem fazer o exercício de enxergar toda a floresta.

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  3. Estou tentando fazer o exercício de investir em valor. Sempre acabo tentando ver o preço... Como a bolsa está testando topo histórico, é hora de comprar ações olhando o valor da empresas?

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  4. CCO, investir em ações de fato não é uma tarefa tão simples. Olhar os preços é uma coisa natural e intuitiva. Comigo demorei um bocado para não me importar muito com isso. O foco total deve ser em avaliar somente os cases.

    Os exemplos não faltam, se a gente pega aí um Bradesco e um Itaú, no início de 2016 as cotações estavam no chão sem um mudança brusca nos fundamentos. Mas confesso que não foi um momento fácil. O que realmente te ajuda a não olhar as cotações é estar com uma carteira bem diversificada e bem alinhada com o que você gosta.

    Talvez possamos estar no topo sim, então é nesse momento que o otimismo toma conta e o cuidado com a diversificação as vezes é negligenciado. Eu faço compras regulares, então nem olho tanto preço.

    Entendo que muitos caras olham para os preços e tal, não discordo, mas meu modo de operar é apenas olhando para a gestão e os números. Vou comprando o que vai prosperando. E não se esqueça que tem de aportar um valor que em caso de queda fortíssima você não se espante. Isso vai ocorrer, as vezes sem queda brusca nos fundamentos e pegar muita gente de calça curta.

    Qualquer ajuda estamos aí! mande mensagem e comente! muito obrigado pela participação.

    Abraços

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