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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

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Guia passo a passo de como montar uma carteira diversificada em Renda Fixa e Renda Variável


Seja qual for o motivo ou momento esta pergunta virá em seus pensamentos algum dia...

Será que começo a tentar juntar alguma grana?

Será que posso investir apenas com pequenos valores?

Quem vos escreve pensava que poupar pequenos valores não seria interessante, pois se são pequenos iriam continuar pequenos. Um grande engano. Não irei me estender sobre o "eu" investidor mas aos 27 anos tive alguma luz e consegui dar uma reviravolta em minha mentalidade.

Sim, é possível começar com qualquer valor!

O Guia Passo a Passo, irá lhe mostrar um racional de investimentos por níveis e classes diferentes.

Passo 1) 

Carteira de Renda Fixa / Colchão Financeiro

Primeiro, vamos para a formação da reserva de emergência e conforme formos transcorrendo o guia iremos descendo de nível até o investimento em Ações e Fundos de Investimento Imobiliário.

Garantimos a você que se quiser ler até o fim, sairá com informações valiosas do que a gente já testou e implementou tendo resultados satisfatórios.

Vamos lá...

Dentro do mundo dos investimentos uma das principais ferramentas que protege o capital é o processo de diversificação. Na realidade entendemos que ela é a principal ferramenta a medida que o investidor saiba fazer um processo adequado.

Atualmente, temos quase que um “Roteiro Básico” para quem quer começar a investir. Para começar basta ter a capacidade de guardar algumas de suas economias. No geral, recomenda-se planejar primeiramente a montagem de uma reserva de emergência ou colchão financeiro.

Constituída aos poucos, o racional para esta parcela seria uma quantidade de capital alocado em ativos de renda fixa que podem lhe suportar por meses. O valor em si depende de vários fatores, tais como renda familiar, estabilidade no emprego, se tem negócio próprio, e por aí vai. Em certos casos esse grau de capital em renda fixa deve ser mais elevado.

Vamos supor que você leitor conseguiu juntar 12 meses de custos mensais. Esse capital que está alocado em renda fixa pode e deve ser diversificado, alinhando a liquidez dos produtos aos seus objetivos e compromissos financeiros.

Não entendeu direito? Ficou confuso?

Fique tranquilo, é o seguinte, vamos supor que no final do ano você pretenda fazer uma viagem. Caso esteja a mais ou menos 8 meses da viagem não seria adequado alocar em investimentos com prazos longos e/ou baixa liquidez.

Separar uma parcela para custos fixos recorrentes é interessante também. Existem compromissos financeiros recorrentes em todos anos que terá de fazer frente como, por exemplo, o IPVA, caso tenha um veículo, IPTU, material escolar e uma série de outros custos que são pessoais. Esse capital teria de estar alocado em alta liquidez como até mesmo na famigerada Poupança.

Sim a Poupança. A ideia aqui não rentabilizar o seu capital, é ter acesso fácil a ele, sem burocracia. Entendam que neste artigo não estamos criando uma receita de bolo, iremos apenas organizar as ideias e colocar racionais de prazos e liquidez.

Você investidor sempre poderá procurar alternativas de investimentos. Acima falamos da Poupança mas o capital poderia ser alocado em um Fundo de Renda Fixa, CDB, e/ou Tesouro Selic se for mais conveniente. O foco da questão é a alta liquidez, ou seja, em tempo curto conseguir transformar o ativo em dinheiro.


Note que neste processo em que estamos falando de renda fixa nós construímos o racional para a elaboração de uma carteira diversificada em renda fixa ou a parcela de sua carteira total alocada  nesta classe.

Utilizando exemplos a nossa mente pode trabalhar melhor, então vamos fazer desta forma...

Vamos supor que você leitor depois de perseverar alcançou a marca de R$ 60 mil. Em suas estimativas você têm custos mensais um pouco inferiores a R$ 5 mil e uma renda familiar bem estável. Note que este é um capital que poderá ser utilizado em necessidades diversas da nossa vida.

Nestes R$ 60 mil que você alocará em renda fixa você pode e deve dividir entre ativos de acordo com a necessidade do capital. Como cada um tem uma realidade familiar não é possível estabelecer uma alocação definitiva para todos. O que vamos fazer é falar sobre alguns ativos que podem cumprir diferentes papeis dentro da parcela de renda fixa.

A Poupança e os Fundos de Renda Fixa na maioria dos bancos têm aquela opção de "baixa automática", ou seja, têm alta liquidez e jogam bem representando aquela parcela de investimentos que não interessa tanto a rentabilidade mas sim o acesso fácil ao capital. Essa parcela pode variar na sua carteira de renda fixa mas normalmente não é muito mais do que 20%.

Mais uma vez aqui você também pode trabalhar utilizando o Tesouro Selic ou um CDB. Mas é necessário que fique claro que são investimentos de liquidez imediata.

Nesta parcela, para simplificar, você pode colocar o capital que utilizará para fazer suas viagens, já que terá de arcar com compromissos financeiros vindouros. Mais uma vez, isso não é uma regra e podem existir outras alternativas que em linhas gerais seguem esse mesmo racional.

Indo um pouco mais a frente teremos os investimentos com prazos mais longos como, por exemplo, Tesouro Direto, CDB’s, Debêntures, LCI, LCA, CRI, CRA. Dois deles podem ser utilizados para a parcela de liquidez imediata, como já mencionamos acima, são eles o Tesouro Selic e o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Mas note que aqueles que têm liquidez automática as vezes podem simplificar o processo e ser uma verdadeira mão na roda.

Cada título deve ter uma função de acordo com os prazos. Na foto, CP é Curto Prazo e LP, Longo Prazo. É apenas um modelo pra ajudar a visualizar uma carteira de Renda Fixa em função dos objetivos e compromissos financeiros.

Dos investimentos que se enquadrariam na parcela de mais longo prazo poderíamos já fazer algumas observações. Os CRI e CRA em muitos casos apresentam valores iniciais de aporte bem elevados o que no caso de nossa carteira de R$ 60 mil poderia não ser adequado para um bom processo de diversificação.

Mas porque isso?

Pois estaríamos concentrando muito em um ativo apenas, centralizando o nosso risco. Além disso, os CRI e os CRA não tem a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Isso não quer dizer que não são bons investimentos, muito pelo contrário mas podem ser acessados utilizando outras formas que abordaremos mais adiante.

Outra classe de ativos que talvez não seja tão adequada nesse racional de alocação em renda fixa seriam as Debêntures. Isso porque você estaria concentrando o seu risco em um só emissor. Evidentemente, que se a exigência mínima de investimentos for baixa você até poderá destinar algum capital para esta classe. Quando falamos em Debêntures temos que ter a consciência que é um ativo de renda fixa mas com risco que depende da saúde financeira da emissora. Existem Debêntures de prazos mais curtos mas a maioria que temos visto são de prazos mais longos.

Quando falamos de prazos mais longos vêm a cabeça os Títulos do Tesouro, LCI, LCA, Debêntures e por aí vai. No caso dos Títulos do Tesouro, temos prazos bem longos, como por exemplo, 2035, 2045. Investindo nesses prazos o investidor, em exceção ao Tesouro Selic, deve ter total consciência de que deverá ficar o maior tempo possível alocado.

Isso, pois uma saída antes do prazo poderia acarretar perdas de rendimento. Assim como também vemos em LCI e LCA, por exemplo, em carências que impedem o investidor de retirar o seu capital ou venda antecipada abaixo do valor inicialmente estimado.

Bom, em relação a sua Carteira Alocada em Renda Fixa nós já temos uma base de informações que podem nos auxiliar muito na tomada de decisão.

Mas e quando ingressar na Renda Variável?

Passo 2) 

Entrando na Bolsa de Valores

Olha, se você já formou um “Colchão Financeiro” confortável em renda fixa talvez você possa dar os primeiros passos. Mas porque esta cautela toda?

Pois a primeira coisa que deve ter ciência é de que o capital alocado em ativos de renda variável é um capital que de preferência não seja resgatado. Se você precisar do dinheiro alocado em renda variável para custos pessoais, sim você está cometendo um erro.

A “aventura na Bolsa de Valores”, na realidade de aventura não tem nada. É mais como ver grama crescer. Se você já se perguntou o porque de ter entrado na bolsa e a resposta é acumular patrimônio de maneira gradual se beneficiando dos lucros das empresas no longo prazo, sim, aqui é o seu lugar...

Um ponto de atenção ao entrar na Bolsa de Valores!

Não se entra com capital elevado em hipótese alguma. Para ajudar o seu psicológico a lidar com as flutuações estabeleça inicialmente um teto máximo que você aguenta “ver derreter” porque isso pode e deve acontecer, sobretudo no início.

Na Renda Variável o investidor terá que estudar cada ativo, ou cada unidade de ativo dentro da carteira de renda variável. No caso das ações você poderá utilizar o seguinte racional, não foque em querer abraçar todas as empresas no início. Foque em encontrar as melhores primeiro.

O que eu quero dizer com as melhores?

De fato, elas são melhores hoje, mas futuramente podem deixar de ser. E é justamente isso que apoiamos o nosso racional do investimento em ações, ou seja, se aproveitar dos cases que geram renda para você hoje e se necessário sair daqueles que perderam qualidade.

São companhias que têm algumas características marcantes. Podemos citar algumas delas:


Claro que toda regra terá exceções, então essas ficam como diretrizes fundamentais da alocação de qualidade dentro das ações.

A medida que for evoluindo no estudo das companhias você vai elevando a sua participação nas empresas. Sempre devagar, medindo o quanto você aguentaria ver em caso de volatilidade para baixo.

Carteiras de 12 à 20 ativos ou até mais são bem comuns. O número em sim não é importante, mas sim a quantidade de empresas que consegue fazer um acompanhamento de qualidade, entendendo bem o que as empresas estão entregando de resultados. Para investir em ações é necessário saber ler balanços financeiros.

Quando você percebe que a sua alocação em ações já apresenta um capital importante você pode partir para outros instrumentos, como os Fundos de Investimento Imobiliário (FII). Para ajudar a nossa interpretação vamos colocar alguns valores:

Vamos supor que você tenha R$ 20 mil para investir em ações. Você poderá, por exemplo, colocar
R$ 500,00 em alguma(s) posições, R$ 1.000,00 em outra(s) ou R$ 2.000,00 em alguma (s). Tente não destinar dentro da sua alocação em ações um percentual acima de 15% da carteira em um único ativo. Mas note que falei apenas da carteira de ações, pois se considerar a carteira como um todo, um único ativo não deve representar mais do que 2% da carteira.

Sim, você precisa sobreviver no longo prazo e não ganhar batalhas medíocres e se achar o vencedor. Para isso, você deve fazer um diversificação inteligente, alocando em ativos que você tenha o máximo de domínio.

No próximo passo as suas posições em renda variável já apresentam um valor importante e você percebe que é hora de diversificar em outra classe. Como citei acima, os Fundos de Investimento Imobiliário são uma alternativa para o pequeno investidor.

Passo 3)

Fundos de Investimento Imobiliário

O processo guarda semelhança com as ações, pois os avisos são os mesmos, entrar devagar, ir aportando conforme for evoluindo no estudo e diversificar adequadamente.

Nos Fundos de Investimento Imobiliário as recomendações gerais de estudo são que o iniciante comece com os Fundos Geracionais.

Mas o que são os Fundos Geracionais?

Trazemos o infográfico a seguir para trazer mais dicas e características deste mercado.

Em teoria, a união dos 3 fatores nos geracionais dão maior envergadura ao fundo trazendo mais chances de sobrevivência e regularidade nos rendimentos.

Assim como em ações, o investimento em Fundos Imobiliários têm um racional de longo prazo, no entanto assim como a moda, imóveis também saem de moda e o investidor deve estar atento a isso mesmo que sendo um processo mais lento.

Com 10 a 15 Fundos o investidor já consegue ter um bom nível de diversificação de portfólio, ainda mais se estiver alocado em ativos que têm vários imóveis e/ou vários contratos de locação.

Nos FII você deve pensá-los como unidades de negócios geradoras de renda, ou seja, as unidades que conseguirem gerar renda consistente ao longo dos anos se mostrarão boas escolhas.

Alguns pontos importantes:

Não concentre muito capital em ativos com um só imóvel e/ou um só contrato. Isso será bom para o seu sono e para sua carteira. Procure colocar maiores posições alinhadas a um maior tamanho de fundo. É interessante estudar os fundos grandes mas fica o aviso de que nem todo o fundo grande é bom e nem todo o fundo pequeno é ruim.

Bom, esse foi o nosso artigo e para finalizar uma outra dica que lá em cima nós citamos acerca do acesso aos CRI. Isso pode ser feito via Fundos Imobiliários que investem em papeis de CRI. Mas é um ativo que requer um maior cuidado na análise. Neste caso, procure avaliar muito bem os ativos individualmente e quem está gerindo o fundo.

Conclusão:

Entendemos que uma carteira bem diversificada não é só responsável por diluir os riscos nos investimentos mas traz também uma tranquilidade mental espetacular.

Você não se incomoda se a Bolsa sobe, se os juros caem, se dólar está caro e por aí vai. Você terá a capacidade de se aproveitar de todos esses cenários estando alocado em uma carteira diversificada. Você poderá montar uma "fortaleza de ativos" e nem um meteoro será capaz de destruir.

Focando no valor dos ativos nós saímos da caixa e nos direcionamos ao que realmente importa. Estar alocado em ativos valiosos por longos períodos, se aproveitando de todos os lucros que serão gerados.

O que você está esperando?

Ficamos por aqui e este será a Área do Iniciante em Investimentos do Prateleira de Ativos.

Espero que tenham gostado e deem o seu feedback. Teremos um grande prazer em ajudá-lo em sua jornada como investidor.

7 comentários:

  1. Muito bom esse roteiro para novatos. Mas poupança naaaaaaaaaaaoooo!!! rsrsrsrsrsrsrsrs

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  2. Kkkkkkkkk! Fiz recomendações com bastante ressalva. A ideia para quem está começando é entender o racional desta parcela. Aquela baixa automática pode ajudar em caso de conta corrente negativa. Mas é só isso. Valeu @investidorderisco!

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  3. Olá Veterinario Investidor, td certo com você? que bom poder estar contribuindo! Também estou acompanhando o seu Blog. Volte sempre aqui meu amigo!

    Grande abraço

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  4. Olá, li o post e achei bem interessante, entendi que devo analisar muito bem cada ativo que pretendo investir, mas minha dúvida é com relação a quem colocar para gerir esses investimentos, preciso de referencias de pessoas e boas corretoras que fazem este trabalho. Vlw

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  5. Olá Sandor Kovacs! que bom que o Artigo foi útil para você. A ideia é que você próprio possa gerenciar os seus investimentos. Isso no início pode parecer difícil mas com tempo você irá estudando e se aprofundando cada vez mais em cada classe de investimentos. Você terá que escolher uma corretora. O meu conselho é que você veja os custos mas mais importante do que isso escolha uma corretora que já tem uma história de prestação de bons serviços. Eu particularmente opto por corretora de banco grande. O que ocorre é que as taxas são um pouco mais elevadas mas gosto pela praticidade da conta corrente já está integrada com o Home broker. Avaliar corretoras não o meu forte mas de ouvir os investidores falando as que me parecem mais adequadas são a Rico, XP, Clear. Dê uma olhada nessas. Em caso de dúvida deixarei meu Whatsapp (021 98232 2004). Pode me chamar qualquer coisa Sandor.

    Grande abraço!

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  6. Parabéns por mais um excelente artigo, gosto muito da sua abordagens sobre os ativos, eu logo após descobrir o tesouro direto xingava constantemente a poupança, mas após alguns estudos percebi que cada classe de ativo possui a sua importância, a poupança como bem falou é para quem quer liquidez e não rentabilidade, claro que deve se adequar para cada pessoa que possui necessidades diferentes no que tange alocação nesse ativo

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