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terça-feira, 9 de maio de 2017

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O dia em que Luiz Barsi respondeu a minha pergunta. Entenda o setor elétrico.

Quem é que não gostaria de tirar uma dúvida com um dos maiores investidores pessoa física no Brasil?

É isso mesmo. Na Carta n° 29 de Luiz Barsi publicada pela empresa Suno Research o mega investidor responde uma pergunta que fiz.


Barsi já foi a mídia algumas vezes e citou empresas do setor elétrico e em muitos casos falando da atratividade relacionada ao alto pagamento de dividendos que essas empresas fazem.

Com o objetivo de entender mais sobre o setor elétrico, ninguém melhor do que quem entende do setor para responder.

A seguir colocaremos a pergunta e a resposta de Luiz Barsi:

Felipe Tejeda:

O Senhor investe no setor elétrico, o que se deve levar em consideração para analisar uma empresa de energia? E como devo fazer uma comparação entre os pares do setor?

Luiz Barsi: 

O setor de energia elétrica tem diferentes segmentos, ele precisa ser avaliado por três aspectos, temos o segmento de geração, transmissão e distribuição.

Tanto geração quanto transmissão, eles se apresentam como segmentos assim, melhores estruturados, no sentido de se operacionalizar e em termos de se conservar a atividade.

A geração, por exemplo, requer um investimento muito mais expressivo que a transmissão. Na transmissão você teria 1 ou 2 fornecedores, e 3 ou 4 clientes, então a tua operacionalização não é custosa e não precisa estar sistematicamente reinvestindo, pois, uma vez processado o investimento ele será utilizado por muitos anos.

A geração varia em função da fonte energética, se você produzir uma energia termoelétrica, você terá um custo, se produzir uma hidrelétrica terá outro custo, uma eólica é outro e solar também, então, a fonte energética que vai determinar o montante do investimento e o eventual benefício.

No caso do Brasil que sempre foi mais propenso à hidro energia, a hidrelétrica, então os investimentos sempre foram mais expressivos. Em outros países os investimentos em eólicas são expressivos também, mas são bem menores que de uma matriz energética de hidro energia.

E ainda uma das mais caras que existem, são energias produzidas por fontes de aquecimento, termoelétricas, que são geradas por combustíveis e gás.

No caso da distribuição, vamos pegar o exemplo da Eletropaulo, enquanto uma transmissora tem poucos fornecedores e clientes, uma distribuidora tem 300-400 mil, então o custo operacional é muito mais intenso, e há uma tendência de inadimplência muito maior.

Então eu avalio isso, eu sentimentalizo isso, eu procuro na razão direta dos acontecimentos dar uma prioridade nos segmentos de geração e transmissão, não que a distribuição não possa ser vantajosa, em alguns casos a gente percebe que ela chega a ser traumática, por exemplo, no RJ existem muitos “ratos de energia”, aqueles que produzem ligações clandestinas, então a operação além de ser mais custosa e onerosa ela acaba sendo mais sacrificada.

No Nordeste, no Norte, a maioria das distribuidoras hoje pertencem à Eletrobrás justamente porque ninguém quer, ninguém quer ficar com isso daí a inadimplência é muito grande, enfim, não é uma atividade que proporciona resultados satisfatórios.

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