3 Empresas da Bolsa que ganharam produtividade no 1° trimestre de 2016

De meados de 2013 até o
meio de 2016 estamos presenciando um processo de deterioração econômica. O
processo não é tão lento sendo acompanhado por altas taxas de inflação e em
consequência alta taxa de juros, crescimento negativo e alta na taxa de
desemprego. Se analisarmos apenas estes fatores poderíamos dizer que estivemos e ainda estamos em situação bem complicada. É interessante como estes movimentos, no caso
negativos, impactam cada um dos setores que apresentam Companhias listadas em
Bolsa de uma maneira diferentes.
Por incrível que pareça
ainda há setores que apresentam saudáveis taxas de crescimento e até ganhos de
produtividade em meio a crise. O mercado como um todo está em movimento
constante e contínuo ao longo do tempo. Dito isso, na dinâmica empresarial não
é diferente as empresas podem ganhar ou perder produtividade, ou mesmo
apresentar ciclos de alta e ciclos de baixa. Os ganhos de produtividade ocorrem
a partir da melhoria na eficiência das operações trazendo ou incrementos de
vendas ou redução de custos por exemplo. Podem também ser obtidos através de
fatores externos, portanto deve-se analisar mais detalhadamente cada caso. Ganhar
produtividade em meio a crise não é uma tarefa fácil e deve-se entender que em
um período extremamente difícil o fato de uma Companhia perder produtividade
não significa que ficou ruim. Os casos devem ser analisados individualmente, case a case.
Pôde-se verificar que 3
Empresas tiveram a capacidade de melhorar seus posicionamentos e apresentaram ganhos de margem.
Tais ganhos serão verificados a partir de ganhos de margem bruta, margem
líquida e margem ebitda. Vamos passar por elas e detalhar os pontos importantes
para que esses ganhos tenham sido obtidos. E tentar deixar mais clara a questão
do contínuo movimento comum e normal de mercado que faz com que as empresas
ganhem e percam produtividade ao longo dos períodos.
A primeira Companhia que
se notou ganhos de margem foi a companhia de soluções para meios de pagamento e
tecnologia, Cielo S.A. A Empresa passou por um processo de investimento
bastante significativo com a compra da Cateno, por aproximadamente R$ 11,6
bilhões. As margens da Cielo consolidada antes da integração com a Cateno eram
altíssimas e como era de se esperar sofreram um processo de queda. A queda
ocorre principalmente, pois as margens da Cateno giram em torno de 20%,
enquanto a Cielo Brasil trabalhava com margens de 60%.
Se olharmos apenas a Cateno ela apresentou uma alta de margem líquida e ebitda. Na margem líquida passou de 16,9% no 1T15 para 21,5% no 1T16 e a margem ebitda passou de 41,0% para 43,9% no mesmo período.
O processo de queda de
margens ainda ocorre mas parece que está próximo a um ponto de inflexão. Se
olharmos apenas a Cateno ela apresentou uma alta de margem líquida e ebitda. Na
margem líquida passou de 16,9% no 1T15 para 21,5% no 1T16 representando ganho
de 4,6 p.p. Já na margem ebitda a Cateno passou de 41,0% para 43,9% o mesmo que
uma alta de 2,9 p.p entre o 1° trimestre de 2015 e o 1° trimestre de 2016. O ganho de produtividade poderá ser
reforçado nos próximos períodos de resultados ou não seguir sua tendência
positiva. Mas outro indício de ganho, embora tenha muitas limitações de
análise, a comparação entre a margem ebitda do 4° trimestre de 2015 com o 1°
trimestre de 2016 foi positiva. No último trimestre do ano passado a margem
ebitda consolidada era de 43,5% e no 1° trimestre de 2016 foi de 46,2%.
Comparando o trimestre atual com anterior apenas se corre o risco de não se levar em conta a questão
da sazonalidade de cada período analisado. Por isso, recomenda-se dar mais ênfase a
comparações de mesmo período só que em anos diferentes.
Como não temos uma bola de
cristal para prever os movimentos deve-se acompanhar se realmente ocorreram
esses ganhos e avaliar se a operação da Cateno está girando de forma saudável e
consistente (atingimento do Breakeven Point (BEP).
A segunda Companhia a
apresentar boas perspectivas de ganhos de produtividade assim como a Cielo
também veio de um processo de perda de produtividade e está a encontrar um piso
para que possa voltar a crescer. A Empresa em questão é a do setor de alimentos
M. Dias Branco. O ganho de produtividade da Empresa produtora de massas,
biscoitos, torradas veio como consequência de dois fatores: a ampliação do
processo de verticalização do processo produtivo e ao aumento mês a mês nos
volumes de vendas de biscoitos, massas, farinha e farelo de trigo e margarinas e
gorduras (informação aberta excepcionalmente neste trimestre).
Crescimento de volumes de vendas crescentes mês a mês em biscoitos e massas, farinha e farelo de trigo e margarinas e gorduras.
A Companhia disse que se desconsiderarmos os gastos não recorrentes de
reestruturação no valor de R$ 11,6 milhões ocorridos no 1° trimestre de 2016
(sobretudo nos meses de janeiro e fevereiro) as margens bruta e ebitda
passariam de 33,4% para 35,7% e de 12,6% para 14,2% respectivamente. Diante
disso, foi perguntado que dado essa recuperação vista no trimestre da margem
ebitda aliado a estabilização do câmbio
e um menor preço do trigo em reais como a M. Dias Brancos veria a necessidade
de um novo aumento de preços. A Companhia se posicionou dizendo que já fizeram
um repasse de preços no 1T16 de 6% e em massas e biscoitos esse reajuste foi um
pouco maior. Em abril de 2016 eles disseram que já implementaram um novo
aumento de preços de aproximadamente 8% na média. A entrada desta nova mudança
ocorreu no final de abril e visa recuperação de margens. A Companhia parece
confiar que diante dos aumentos dos volumes mesmo em um cenário de aumento de
preços as margens possam voltar a evoluir. Novamente é necessário acompanhar se
realmente as expectativas da Companhia estão alinhadas com a realidade do
momento atual.
A última
Companhia da análise representando a 3ª empresa que apresentou uma tendência de
aumento de produtividade foi a varejista farmacêutica Raia Drogasil. Um ponto
forte do resultado que explica um pouco dos ganhos foi o SSS (Same Store Sales) que representa a
variação de vendas nas mesmas lojas, ou seja, se analisa apenas aquelas lojas
que já estão em operação por um tempo maior. O intuito disso é excluir da análise as lojas recém inauguradas afim de
limpar o resultado referente ao crescimento obtido a partir da abertura de lojas.
No caso
da Raia Drogasil, o SSS cresceu 16% e destaque para o SSS de lojas maduras (a
partir de 4 anos de operação) com crescimento de 12,2%. Além disso, o ciclo de
caixa da Companhia obteve redução 0,8 dia útil. Note que neste indicador
quanto menor melhor, isso significa que os clientes estão sendo melhor
financiados pelos fornecedores. Na análise que fizemos da Raia Drogasil
referente ao 1° trimestre de 2016 apresentamos uma explicação mais detalhada do
que é ciclo de caixa utilizando como exemplo os resultados do trimestre da Raia
Drogasil (para acessar análise: https://www.prateleiradeativos.com/2016/06/analise-dos-resultados-da-varejista.html).
Crescimento de SSS consolidado de 16% e destaque para o SSS de lojas maduras (a partir de 4 anos de operação) com crescimento de 12,2%.
Além
disso, um efeito que foi bastante positivo para a Companhia foi o reajuste de
preços sobre os remédios aprovada pelo governo no final de março fixando em
12,5% de aumento. Para finalizar, temos o próprio comentário dos gestores para
basearmos melhor nosso entendimento sobre o momento da Companhia: “O 2°
trimestre na expectativa deles virá bem forte, a partir da combinação de
crescimento no preço dos medicamentos e menor pressão inflacionária mesmo com
possíveis baixas no volume de vendas. Para esse ano eles têm a expectativa de
crescimento da margem ebitda em 0,5 pontos percentuais. Já para o 2T17 ficará
muito difícil sustentar estas margens, pois terão uma base de comparação
fortíssima”.

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