Análise Fundamentalista: Empresa BR Foods S.A. (BRFS3) – 2° trimestre 2016

Assumindo o novo modelo de
análise fundamentalista aplicada em nosso primeiro estudo referente aos balanços 2° trimestre de 2016 o nosso roteiro
será: 1) Receita, Ebitda e Lucratividade, 2) Geração
de Caixa (Fluxo de Caixa), 3) Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa), 4) Produtividade (Margens), 5) Investimentos (Capex) e 6) Custos e Despesas (CPV,
Administrativas e Vendas). Esta é uma nova proposta, portanto vamos ver como
este novo modelo irá nos mostrar o desempenho das Empresas.
No caso
da BR Foods, Empresa do ramo de alimentos, temos uma atuação a nível mundial
fazendo com que nos diferentes países a sua performance seja diferente. Iremos
tentar explorar um pouco dos resultados por região mas diante do objetivo de
fazer uma análise mais enxuta tentaremos filtrar apenas aquilo
que permite ver o modelo de negócios como um todo.

 

1) Receita, Ebitda e Lucratividade:
1.1) Consolidado:
Receita: R$ 8.515 milhões alta de 7,6% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 1.918 milhões, 24% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 944 milhões queda de 31,6% em comparação ao 2T15.
1.2) Brasil:
Receita: R$ 3.566 milhões queda de 5,3% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 912 milhões, 26% abaixo do apresentado no 2T15.
Ebitda: R$ 370 milhões queda de 34,7% em comparação ao 2T15.
1.3) Oriente Médio e Norte da África:
Receita: R$ 1.600 milhões queda de 1,3% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 405 milhões, 30% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 137 milhões queda de 39,2% em comparação ao 2T15.
1.4) Ásia:
Receita: R$ 1.261 milhões alta de 40,3% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 280 milhões, 10,2% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 210 milhões queda de 22,9% em comparação ao 2T15.
1.5) Europa/Eurásia:
Receita: R$ 1.019 milhões alta de 20,5% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 141 milhões, 39,0% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 78 milhões queda de 52,2% em comparação ao 2T15.
1.6) Latam:
Receita: R$ 511 milhões alta de 11,7% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 96 milhões, 1,6% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 46 milhões alta de 98,2% em comparação ao 2T15.
1.7) África:
Receita: R$ 199 milhões alta de 15,3% em relação ao mesmo
período do ano anterior.
Lucro Bruto: R$ 51 milhões, 11,7% abaixo do apresentado no
2T15.
Ebitda: R$ 26 milhões queda de 22,6% em comparação ao 2T15.
A marca Sadia Halal, linha de produtos da Sadia voltada ao mercado muçulmano, criada em junho, terá um faturamento anual de US$ 2 bilhões. A informação foi dada por Pedro Faria, CEO global da BRF, na sexta-feira, 29, em teleconferência. De acordo com o executivo, a subsidiária já é responsável por 20% das vendas da empresa brasileira.
Olhando as linhas de receita, lucro bruto e ebitda do
demonstrativo de resultados pode-se perceber que a receita nos diferentes
mercados pouco sofreu. Note que em algumas regiões o resultado nesta linha foi
até muito positivo como é o caso da Ásia e da Europa/Eurásia que apresentaram
altas de 40,3% e 20,5% na receita líquida respectivamente. As operações
internacionais da BR Foods no 2° trimestre de 2016 aprasentaram uma elevação de
volumes de vendas na ordem de 17% na comparação anual.
Entretanto, quando começamos a descer a análise percebe-se
que no lucro bruto e ebitda o resultado foi bem mais fraco. Em relação ao
ebitda houve redução em todos os mercados em que a Companhia tem presença. Em
parte, esta queda do resultado operacional se deve a dois fatores: o preço dos
grãos no mercado brasileiro e o preço do frango para exportação.
Em relação ao impacto dos grãos nos resultados da Empresa,
pegando a variação dos preços de mercado durante o 1° semestre deste ano contra
o mesmo período do ano passado e multiplicarmos esse valor pelo volume de
consumo mensal de grãos da BRF chegaríamos a um aumento de custo de cerca de R$
1.4 bilhões ano contra ano. Somente no 2° trimestre de 2016 o aumento foi de
cerca de R$ 940 milhões. Segundo Alexandre Borges, um dos gestores da
Companhia, esse deveria ser o impacto no lucro bruto somente relativo a
variação do preço dos grãos e tudo mais constante.
Além disso, a direção ainda destacou que conseguiram mitigar
esse impacto através de iniciativas como a melhora na conversão alimentar,
melhor formulação nutricional da ração, melhor execução na compra de grãos,
hedging e outras iniciativas. Disseram que o impacto efetivo negativo foi de
aproximadamente R$ 1 bilhão neste 1° semestre ou cerca de R$ 608 milhões no
2T16.
Em teleconferência de resultados ocorrida no dia 29/07/2016 a
Companhia como um todo se mostrou otimista tanto para o cenário de grãos quanto
em relação ao preço do frango no cenário internacional. Esses pontos devem ser
observados de perto pelos investidores, já que são aspectos que influenciam
diretamente o negócio e a Empresa não tem controle sobre eles. Talvez a grande
pergunta é se diante deste cenário complicado a Empresa terá capacidade
financeira e de gestão para manter uma estrutura de capital adequada sem que haja um aumento
explosivo da dívida. Um aumento forte no endividamento poderia comprometer
bastante o futuro da Companhia que teria que arcar com pesados compromissos
financeiros mas isso vamos abordar mais a frente na análise.
Para acessar a cotação de milho no Brasil e o preço do frango temos o link:
 
Temos também outro link para a cotação do milho:
2) Geração de Caixa (Fluxo de Caixa):
Primeiramente, olhando um pouco para o ciclo de caixa da
Companhia foi apresentado no 2° trimestre de 2016 um ciclo financeiro
correspondente a 37,7 dias havendo uma melhora de 0,6 dias em relação ao 1T16.
Se comparamos com o mesmo período do ano anterior teríamos um aumento de 2,7
dias, mostrando uma piora. Se olharmos do 1T14 para cá percebe-se uma média de 37,14
dias com um desvio padrão de 2,98 o que mostra que o ciclo atual está dentro do
que foi apresentado nos períodos anteriores.
A geração de caixa operacional totalizou no 2T16 R$ 908
milhões. Essa geração de caixa em parte foi suficiente para realizar o
financiamento do Capex que totalizou R$ 795 milhões. Desta forma, a geração de caixa após investimentos foi positiva
em R$ 113 milhões. Além disso, houve impacto de R$ 595 milhões referente as
aquisições e R$ 360 milhões relativos ao programa de recompra de ações.
O
resultado financeiro do trimestre foi negativo em R$ 504 milhões. Somando as
variações cambiais de efeito não-caixa, juros apropriados e pagamentos devidos,
chegamos a uma contribuição negativa de R$895 milhões no 2T16. Desse valor o
impacto negativo na dívida líquida é de apenas R$53 milhões, haja visto que a
variação cambial da dívida líquida apesar de não representar desembolso,
impacta o endividamento em reais.
A
geração de caixa no trimestre foi talvez o que permitiu a Empresa a honrar seus
compromissos financeiros, além de realizar os investimentos em Capex e fazer
aquisições. Um dos grandes desafios da Companhia em meio a essa “tempestade
perfeita” é manter saudável sua estrutura de capital.
3) Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa): 
O caixa da BR Foods é de R$ 6.811 milhões com um
endividamento de R$ 17.852 milhões. A dívida líquida totaliza R$ 11.041
milhões. A Empresa vem fazendo bastante aquisições aliado a uma forte recompra
de ações. Pode-se perceber que a dívida líquida no 1° trimestre de 2015 era de
R$ 6.230 milhões e em relação ao 2T16 subiu muito, ficando um pouco abaixo do
que o dobro. Neste ponto o investidor deve colocar uma lupa, pois aqui pode ser
o ponto de desequilíbrio da Companhia. Caso a dívida continue crescendo junto a
uma não recuperação do cenário de grãos e preço do frango no mercado
internacional que impactam o Ebitda diretamente, a Companhia pode perder seu
equilíbrio financeiro.
A alavancagem financeira medida pela razão entre a dívida
líquida e ebitda totalizou no 2T16 1,99 vezes. Esse será o indicador chave para
o investidor nos próximos períodos. É recomendável que a Companhia não tenha
este indicador maior do que 3, entretanto muitas vezes quando uma empresa chega
neste patamar sua estrutura de capital pode já estar desequilibrada, portanto
temos que acompanhar de perto.
4) Produtividade (Margens):
Neste quesito a BR Foods sofreu muito. Com o cenário ruim da
economia doméstica, cotação nas alturas do milho e queda nos preços do frango
para a exportação a Empresa perdeu produtividade. Para termos uma ideia no
resultado consolidado a margem bruta ficou em 22,5% no 2T16 contra 31,9% no
2T15. A margem líquida ficou em 0,4% no 2° trimestre de 2016 contra 4,6% no
2T15. A margem ebitda ficou em 11,1% uma queda de 6,3 pontos percentuais em
relação ao mesmo período do ano anterior.
No caso da BRF temos uma empresa caracterizada por uma
atividade de margens menos elevadas e que ainda é influenciada pelo ciclo dos
grãos e do frango. Pôde-se observar neste trimestre a identidade cíclica deste
negócio que aliado a margens baixas causa forte volatilidade nos resultados
como vimos neste trimestre uma queda de 91,6% do lucro. Claramente estamos em
uma parte baixa do ciclo mas em hipótese alguma o cenário só tem a melhorar. A
diretoria se mostra confiante mas os investidores devem analisar os números com
honestidade e imparcialidade. Desta forma, a Empresa pode melhorar nos próximos
períodos como creem os gestores ou continuar em um processo de piora nos
resultados.
 
5) Investimentos (Capex):
No
trimestre a BR Foods consolidou parcialmente as aquisições da Calchaquí e Campo
Austral na Argentina que combinados somam mais de R$ 60 milhões de receita na
América Latina.
Foi
finalizada também o plano de 100 dias da integração da Golden Foods Sian (GSF)
que agora se chama BRF Tailândia, na qual a Companhia mentem oportunidades de
sinergias tanto pelo lado operacional quanto comercial.
A BRF Tailândia, antiga Golden Foods Siam (GSF), integrou suas operações que abrangem a criação de frango própria, incubadores de frango de corte, fazendas de cultivo de frango e matadouros. Atualmente, a BRF Tailândia é um dos top 5 produtores de frango da região e conta com cerca de 7.500 funcionários.
Cerimonial de celebração entre a BRF e a GSF realizada em dezembro de 2015.
Para visitar o novo
site da BRF Tailândia acesse:
A
BR Foods anunciou a constituição da Sadia Halal, uma subsidiária da BRF que
deverá ser baseada no Oriente Médio e já nasce como uma das três maiores
empresas Halal do mundo com cerca de 2 bilhões de dólares de receita líquida.
Segundo a Companhia, a criação de uma empresa independente na região permite
acelerar o seu crescimento em um mercado onde a população cresce mais de duas
vezes a média global.
6) Custos e Despesas (CPV, Administrativas e Vendas):
As despesas operacionais totais apresentaram no 2° trimestre
de 2016 uma elevação de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior
influenciado por empresas recém adquiridas, pelo impacto cambial e por pressões
inflacionárias. Note que as despesas subiram quase em linha com o crescimento
das receitas e um pouco abaixo da inflação. Se excluíssemos as recentes
aquisições, segundo a Companhia, o SG&A (Sales, General &
Administrative
– Vendas, Administrativos e Gerais) teria aumentado 4,5% ano
contra ano.
O que auxiliou a Empresa neste processo de contenção de
custos foi o prosseguimento do programa OBZ (Orçamento Base Zero) que ajudou a mitigar esses impactos através de
iniciativas como melhor roteirização da distribuição de produtos,
racionalização dos centros de distribuição, otimização da frota de veículos,
entre outros.

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