Análise Fundamentalista: Empresa Grendene S.A. (GRND3) – 2° trimestre 2016

Dando prosseguimento as
análises fundamentalistas referentes ao 2° trimestre de 2016 chegamos a Companhia do
setor de calçados e artigos de moda Grendene S.A. Iremos adotar o mesmo modelo
das últimas análises de resultados (BRF S.A. e WEG S.A.), seguindo o seguinte
roteiro: 1) Receita, Ebitda e Lucratividade, 2) Geração de Caixa (Fluxo de Caixa), 3) Estrutura de Capital (Endividamento e
Caixa), 4) Produtividade (Margens), 5) Investimentos (Capex) e 6) Custos e Despesas
(CPV, Administrativas e Vendas).
 
1) Receita, Ebit, Ebitda e Lucratividade:
 
1.1) Receita:
 
R$ 499,2 milhões no 2° trimestre de 2016 com alta de 8,1% em relação ao
2T15. No 1° semestre a receita totalizou R$ 1.065,8 milhões apresentando queda
de 3,1% em relação ao 1S15.
Mercado interno: R$ 394,7 milhões no 2T16 com alta de 15,7%
em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, se compararmos o
resultado semestral temos neste 1° semestre um receita de R$ 775,6 com uma queda
de 4,5% em relação ao 1° semestre de 2015.
Mercado externo: No 2° trimestre de 2016 a Grendene teve um
receita no mercado externo igual a R$ 104,5 milhões apresentando um queda de
13,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No 1° semestre de 2016 a
receita foi de R$ 290,2 obtendo um ligeira alta de 0,9% em relação ao 1S15.
1.2) Ebit:
R$ 54,6 milhões no 2T16 com alta de 28,6% em relação ao 2T15. No
entanto, no 1° semetre de 2016 o ebit totalizou R$ 136,9 milhões queda de 11,3%
em relação ao 1° trimestre de 2015.
1.3) Ebitda:
R$ 70,0 milhões no 2° trimestre de 2016 com alta de 25,8% no 2°
trimestre de 2016. Porém, no 1° semestre de 2016 o ebitda somou R$ 166,0 milhões com queda de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
1.4) Lucro Líquido: 
R$ 93,0 milhões no 2° trimestre de 2016, apresentando uma
alta de 4,9% em relação ao 2T15 e R$ 236,6 milhões no 1° semestre de 2016 com
uma alta de 4,5% em relação ao 1° semestre de 2015.
O que pode-se notar neste trimestre foi um de certa forma o
contrário do ocorrido no mesmo período do ano anterior. Se no ano passado as
exportações tinham uma participação maior devido a valorização do dólar sobre o
real e uma demanda doméstica muito enfraquecida agora temos um cenário
diferente. Vamos começar falando um pouco sobre o cenário internacional para
depois analisarmos o mercado interno.
As
exportações da Grendene continuam sendo afetadas negativamente, sobretudo por
países da América Latina, África, Oceania e Oriente Médio, impactados em
diferentes intensidades pela queda nos preços internacionais das commodities.
Isso foi parcialmente compensado pela taxa de câmbio que teve efeito positivo
nas exportações da Grendene de R$ 58,1 milhões no 1S16.
Também
é importante destacar nessa questão das exportações a grande diversidade de
destinos que a companhia tem, apresentando um número de mais de 100 países.
Desta forma, a empresa sempre irá sofrer influência econômica de algum
mercado que esteja desempenhando melhor ou pior. Neste cenário atual a gestão da Grendene vê uma piora nos países que tem uma ligação mais forte com as commodities sem
uma melhora correspondente nos países desenvolvidos como é o caso dos EUA e a
própria Europa que compensasse essa queda nos outros países.
A avaliação da direção da empresa para o ano de 2016 é que muito provavelmente os volumes serão
menores do que 2015 mantendo a expectativa já reportada no 1T16. A companhia ainda colocou
que em relação ao patamar de dólar atual eles ainda são lucrativos mas
evidentemente um dólar mais apreciado é favorável para a Companhia. Chegaram
até a dizer que quando o dólar estava em R$ 1,60 anos atrás eles reportaram
lucro. Ou seja, a empresa embora reconheça que o dólar mais alto favoreça suas
operações mostram também que sabem trabalhar bem em diferentes patamares de câmbio. O
período do ano em que o dólar apreciado trás mais benefícios para a Companhia é no 4T, pois o volume de exportações é mais elevado.
Agora, em relação ao mercado doméstico pôde-se notar uma leve recuperação, sobretudo
quando comparados os números do 2T16 vs 2T15. É necessário frisar que esta
recuperação ainda é tímida, já que se pegarmos a comparação do 1° semestre deste
ano contra o mesmo período do ano anterior apenas no mercado doméstico temos
uma queda de 4,5%.
Falando
um pouco sobre as expectativas da companhia eles creem que o ambiente econômico
deverá se estabilizar sendo incerto neste momento quando e com que intensidade
terá o início de uma recuperação mais consistente. Isso na opinião deles só
será possível após a resolução em das indefinições políticas que pairam
sobre nosso país. Também atribuíram o momento do país a problemas relativos aos
elevados déficits públicos, ao descontrole fiscal, a crescente dívida pública e
a situação falimentar de muitos estados brasileiros sugerem a continuidade de
aumentos de impostos e apertos monetários no futuro o que de fato já temos
visto no decorrer deste ano com vários aumentos percebidos.
2) Geração de
Caixa (Fluxo de Caixa):
 
Neste
1° semestre de 2016 a Grendene gerou em suas atividades operacionais R$ 463,6
milhões sendo destinados R$ 61,5 milhões para pagamentos de empréstimos, R$
38,5 milhões para investimentos em imobilizados e intangíveis, aplicações
financeiras no valor de R$ 183,8 milhões e JCP e dividendos no valor total de
R$ 177,1 milhões. 
Fica
evidente que a Grendene é uma companhia que não necessita de grande quantidade
de capital para gerar valor ao acionista. Interessante notar que dos R$ 463,6
milhões de caixa gerado, R$ 360,9 milhões foram uma parte para os acionistas e
outra parte para reforçar o já robusto caixa da empresa.
Com área de 320 metros quadrados e três andares, o espaço está localizado na Rua Garcia D’Ávila, em Ipanema, no Rio de Janeiro.
3) Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa):
Neste quesito a Grendene demonstra além de ser um forte
geradora de caixa é uma empresa muito disciplinada do ponto de vista de gestão
financeira. O caixa bruto da companhia totalizou no final deste trimestre R$
1.570,0 milhões. O endividamento da empresa no final deste período totalizou R$
133,4 milhões, resultando em um caixa líquido de R$ 1.436,5 milhões. Sem dúvida
alguma mais uma vez a empresa mostra em seus resultados a importância de um
caixa forte em períodos de demanda mais enfraquecida. É quase como um escudo
que permite a empresa, diante de resultados operacionais menos pujantes,
apresentar resultados satisfatórios. O sócio neste caso deve compreender e
aceitar que a administração financeira da Grendene trabalhe desta forma, sempre
mantendo um bom nível de caixa para fazer frente aos períodos de maiores incertezas.
Em 2016 a Sandália Ipanema comemora 15 anos de existência e para contar um pouco dessa história, a Casa Ipanema recebeu a retrospectiva sensorial e colaborativa ”Ipanema – 15 Anos de Bossa”, onde foram relembrados os principais fatos que marcaram a história da marca.
4) Produtividade (Margens):
Nos resultados da Companhia pôde-se notar ganho de margens
bruta, ebit e ebitda. Na margem bruta houve um acréscimo de 4 pontos
percentuais, passando de 41,5% no 2T15 para 45,5% no 2T16. já no ebit houve
alta de 2,2 pontos percentuais passando de 11,2% no 2T15 para 13,4% no 2T16. Já
na margem ebitda houve alta de 2,5 pontos percentuais indo de 14,7% no 2T15
para 17,2% no 2T16. Por fim, a margem líquida que apresentou leve queda de 0,4
pontos percentuais caindo de 23,3% no 2T15 para 22,9% no 2T16.
Sobre a margem bruta da Grendene a qual é afetada diretamente pela
operação industrial, a gestão da companhia
colocou é que hoje apresentam uma operação mais eficiente fruto de ganhos de
produtividade que decorrem de mudanças de processos, de automações e de vários
investimentos que foram feitos logo após a companhia fazer um aumento de sua
capacidade produtiva. Como, por
exemplo, iniciativas em logística em termos de processos internos que estão
permitindo, mesmo enfrentando inflação, apresentar um crescimento de custos
baixo.
O
que joga contra o aumento de margens são os volumes que estão reduzidos quando
comparados com o ano passado e isso faz com este ganho de margem não apareça
integralmente. A direção comparou este momento atual com 2011, onde os volumes
foram mais baixos mas as margens foram boas e melhores do que o ano anterior.
Quando os volumes voltaram a aumentar os ganhos de produtividade foram mais
consistentes. O ponto chave em relação o 2° semestre é prever quando os volumes
irão voltar e isso é muito difícil conseguir prever mas dificilmente este ano
nós veremos um grande crescimento de volume.
A
expectativa da Grendene para o ano inteiro é que o volume seja menor do que o
ano de 2015. Sobretudo em relação aos países mais dependentes de commodities
que esperasse que não se recuperem ainda este ano. Já no mercado interno, quando
terminou o 1° trimestre falando com o pessoal do mercado, lojistas a postura
era de total pessimismo e vimos que muitos varejistas reduziram os seus
estoques ao mínimo por conta do custo do dinheiro, do receio de ficar com muito
estoque mas isso tem um limite a partir do momento em que os baixos estoques
prejudicam as vendas. Neste momento, a companhia percebe que há um certo alívio
mas sem nenhum tipo de euforia. Resumindo é muito difícil neste momento prever
o comportamento das margens e do lucro líquido.
O espaço de 320 metros quadrados em via que reúne diversas grifes de moda expõe produtos da marca feito em parcerias com três grifes: a Salinas, a FYI e a estilista Lenny Niemeyer. A marca Ipanema esteve presente na SPFW através de sua parceria com as marcas A. Brand e Lenny Niemeyer.
 
5) Investimentos (Capex):
Os investimentos no 1S16 foram: manutenção de prédios
industriais e instalações, reposição do ativo imobilizado e aquisição de novos
equipamentos para modernização do parque fabril e melhor eficiência da produção.
No 1° semestre de 2015 foram gastos R$ 44,2 milhões enquanto neste 1S16 o
montante foi de R$ 38,4 milhões. Mais uma vez evidenciando o caráter da
Grendene por ser uma companhia que pouco necessita de investimentos para que
seu negócio seja girado.
As ações de merchandising no Domingão do Faustão continuam. As coleções Ipanema Wave e Ipanema Fashion Trip foram apresentadas por Carol Nakamura e Juliana Valcézia.
 
6) Custos e Despesas (CPV, Administrativas e Vendas):
6.1) Despesas com vendas: 
R$ 212,2 milhões no 1S16, alta de
2,8% em relação ao 1S15.
6.2) Despesas com publicidade e propaganda:
R$ 46,2 milhões
no 1° semestre de 2016, alta de 2,2% em relação ao mesmo período do ano
anterior.
 
6.3) Despesas gerais e administrativas: 
R$ 53,6 milhões neste
1° semestre de 2016 contra R$ 44,2 no 1S15, aumento de 21,2%. No release de
resultado a Grendene colocou que as despesas gerais e administrativas ficaram
acima das expectativas ainda afetadas pelas despesas com o encerramento das
operações da controlada A3NP (TOG) e adequação das operações na Argentina.
Os
preços dos insumos da Grendene têm se mantido estáveis com impulso de alta
devido ao câmbio contra balanceados com as quedas dos preços das commodities.
Os componentes que afetam negativamente os resultados são os custos com mão de
obra, influenciados por uma alta no salário mínimo de 11,7% no 1° semestre de
2016. Isso foi amplamente compensado por ganhos de produtividade.
A
continuada alta de impostos e o mercado recessivo que implicam em menores
volumes e portanto menor base para absorver os custos fixos também são impactos
negativos. A resposta da companhia diante deste cenário é de sólida gestão de
custos e portfólio de lançamento de produtos que permitiu encerrar o semestre
com lucro líquido de R$ 236,6 milhões.

O objetivo da fabricante de calçados Grendene com a loja é reforçar a identidade da marca Ipanema, e servir de suporte para cerca de 60 mil pontos de venda do calçado. A iniciativa custou um investimento de R$ 5,0 milhões.

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