Análise Fundamentalista: Empresa BR Foods S.A. (BRFS3) – 1° trimestre 2016

Vamos fazer uma análise fundamentalista em que a Companhia atravessa
com base nos últimos resultados referentes ao 1° trimestre de 2016. A
BRF vem de um processo de turn around bem interessante com a volta da
marca Perdigão para o seu portfólio de produtos. No ano de 2015 a
Empresa apresentou resultados bastante satisfatórios. Mesmo com uma
demanda doméstica muito enfraquecida o mercado externo compensou isso
e trouxe bons números para seus acionistas.

Interessante notar que quando atravessava pelo momento positivo a Empresa
nunca havia falado sobre possíveis desafios que poderiam enfrentar mais adiante
em termos de ciclos de commodities que têm participação direta no seu
negócio. Não sabemos se foram pegos de surpresa mas, segundo o
CEO da Companhia, foram atingidos por uma “tempestade perfeita”. Antes
de explicar a tal turbulência, em termos de números vimos um resultado
muito fraco com redução no lucro líquido em torno de 90%. Perdeu ebitda e
margem nos principais mercados em que atua. Brasil (queda de ebitda
1,8% 1T15 vs 1T16), Oriente Médio e Norte da África (queda de ebitda
4,6% 1T15 vs 1T16), Ásia (queda de ebitda 31,2% 1T15 vs 1T16), Europa e
Eurásia (queda de ebitda 20,6% 1T15 vs 1T16), África (queda de ebitda
33,1% 1T15 vs 1T16). Apenas registrou melhora na América Latina mas
evidentemente não compensou o fraco resultado.

Falando um pouco sobre a “tempestade perfeita” que impactou diretamente o
resultado da Empresa temos os seguintes fatores: ciclo de baixa do
preço do frango para exportação, alta dos preços do milho no Brasil,
operações de hedge mal sucedidas e oscilações na cotação do dólar.
Primeiramente, em relação ao ciclo do preço do frango e do milho podemos monitorar neste site:

http://www.noticiasagricolas.com.br/cotaco…/milho/2016-04-28
(já vai direto para a cotação do milho. Para ver a do frango é só
acessar a barra lateral a direita onde tem o preço de várias
commodities).

Além disso, para traduzir um pouco este momento pegamos uma notícia de
janeiro de 2016 que mostra que o preço do milho alcançou o maior patamar
da série histórica iniciada em 2000.

http://revistagloborural.globo.com/…/preco-do-milho-bate-re…

Agora em relação ao resultado financeiro houveram alguns eventos que
impactaram fortemente os resultados. Segundo a Companhia, a volatilidade
do câmbio intra mês e intra trimestre resultaram em impactos relevantes
dado o elevado nível de comércio exterior e operações internacionais em
diferentes moedas. As aquisições realizadas no trimestre bem como uma
posição comprada em milho na bolsa de Chicago levaram a um resultado
negativo somado na ordem de R$ 130 milhões. Dito isso, o sócio deve
acompanhar como ficarão os próximos resultados financeiros, pois eles
impactam diretamente o lucro líquido que é de suma importância para o
sócio. A receita consolidada até apresentou crescimento (15,2%) mas
evidentemente não melhorou o cenário de extrema perda de produtividade.

Unidade da Fábrica da BRF em Abu Dhabi, inaugurada no final de 2014 com investimentos de US$ 160 milhões.

Para finalizar, vamos colocar alguns pontos discutidos na
teleconferência apresentada em 29/04/2016 de forma a acompanharmos as
avaliações dos gestores da Companhia e analisar se realmente as
expectativas se tornarão reais.

1) Em relação ao preço do milho:
O milho no mercado brasileiro apresentou uma alta de 60% no últimos
períodos sem guardar qualquer relação com a cotação do milho no mercado
externo. Foi dito que não é comum haver uma diferença entre essas
cotações, havendo uma tendência esperada por eles de pareamento dos
preços. Outro ponto dito aqui foi de verificarmos se depois da colheita
(meados de maio – junho) a oferta aumenta e os preço cessam.

2)
Foi falado também que eles têm expectativas de apresentar um 1° e 2°
trimestres mais desafiadores e que a partir do 3° e 4° as coisas voltam
aos eixos. Portanto, o sócio deve estar atento para o que foi dito.

3) Os preços no mercado doméstico foram acrescidos em 10% enquanto o
volume caiu os mesmos 10%. Desta forma, a Companhia irá efetuar um novo
aumento de preços na ordem 7%. Segundo a BRF, os volumes estão começando
a apresentar sinais de melhora a partir de março/16. Além disso, eles
estão vendo com boas perspectivas a questão da recuperação dos volumes
no mercado doméstico. A concorrência também vem aumentando os preços o
que os deixa mais confortáveis para executar o plano referente ao
próximo aumento.

4) Voltando a questão do preço do milho, para
eles não é nem uma questão de ciclos mas sim de forte descasamento de
preços que pegou todos de surpresa. A Companhia está bastante convencida
de que os preços cairão. Hoje, eles estão pagando na ordem de R$ 45,00 –
R$ 50,00 a saca aonde a expectativa é de R$ 15,00 – R$ 20,00 (palavras
dos gestores). Aqui temos que acompanhar se realmente as expectativas de
realizam.

5) Por fim, a Empresa diz que está trabalhando em
iniciativas que eles têm o controle como sendo uma das principais o controle
de custos. Falam que estão trabalhando fortemente nisso e que
possibilitará uma rentabilização do negócio, além de esperarem uma
recuperação das margens e lucratividade para os próximos períodos. É
aguardar e monitorar as palavras e expectativa da direção da BRF.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *