Análise Fundamentalista: Empresa Porto Seguro S.A. (PSSA3) – 1° trimestre 2016

Vamos começar com os destaques do período:

1) Crescimento de 5% nas receitas totais em comparação ao 1° trimestre de 2015.

2) Aumento de 5% nos prêmios auferidos de seguros no trimestre (2016 vs 2015).

3) Crescimento de 4% no lucro líquido e retorno sobre patrimônio líquido de 16,8% (-1,0 p.p.). Aqui tivemos o impacto do aumento dos tributos (CSLL) e sem este efeito o lucro líquido teria evoluído em torno de 10%.

4) O índice combinado de seguros alcançou 98,9% evoluindo 1,5 p.p. em relação ao 1° trimestre de 2015. O índice combinado ampliado ficou em 91% avançando 0,6 p.p. no 1° trimestre de 2015.

5) Resultado financeiro de R$ 353 milhões no 1° trimestre de 2016 (+30% vs 1T15). A rentabilidade total no trimestre atingiu 4,1% (126% do CDI) e a rentabilidade (ex. Previdência) foi de 3,9% (119% do CDI).

A sede da Porto Seguro está localizada em Campos Elísios, na região central da cidade de São Paulo.

O cenário econômico seguiu seu fluxo de piora dos fundamentos no 1° trimestre de 2016. Alta taxa de desemprego, cenário inflacionário ainda obscuro, caos político. Fazendo um paralelo com o resultado dos prêmios de seguros vemos alguns movimentos interessantes. O seguro “carro chefe” da Companhia, o Porto Seguro Auto apresentou queda de 4,3%. Talvez por ser mais completo e um ticket mais elevado sofreu com um cenário econômico mais desafiador e uma pressão maior das despesas das famílias. Por outro lado, o Azul Seguros – Auto, sendo a 2ª marca da Porto Seguro, para um segmento que deseja uma cobertura menor mas também um menor preço apresentou crescimento de 14,8%. O Itaú Auto e Residência também obteve bons resultados crescendo 15,5%. Destaque para o crescimento do seguro de vida e odontológico, apresentando crescimento de 21% e 29,8% respectivamente. Mas se considerarmos estes números acima juntos teríamos um crescimento de 5% apenas dada a grande participação da carteira Auto no total da carteira da Companhia. A expectativa de crescimento para a carteira de Auto é modesto, já que o mercado está bastante apertado. Eles esperam uma performance mais interessante em termos de crescimento para os próximos períodos o segmento de seguro patrimonial.

A frota segurada das 3 marcas juntas cresceu 251 mil itens no 1° trimestre de 2016 correspondendo a um crescimento de 5%. O market share consolidado da Companhia alcançou 30,4% no final do 1° trimestre de 2016.

O índice combinado como destacado acima sofreu pressão e aumentou. Principalmente devido ao incremento nas taxas de sinistralidade que apresentaram um crescimento no resultado consolidado de automóveis de 1,1 p.p alcançando 58,1% vs 57% observado no 1T15. O segmento de saúde também contribuiu para este movimento bem como maiores despesas com tributos. A Companhia continua com a expectativa de alcançar seu Soft guidance colocado para o mercado no início do ano, com um crescimento esperado entre 1% e 1,5% nas taxas de sinistralidade em relação a 2015. Este ponto deve ser acompanhado, ou seja, se a Companhia está com a expectativas alinhadas com a realidade. Foi questionado se a piora do índice combinado poderia ter sido reflexo da compra da Chubb. Mas a Companhia negou e ainda disse que a Chubb já vinha atuando em suas próprias contenções de custos.

As despesas administrativas se elevaram em 5% ficando abaixo da inflação e em linha com crescimento das receitas. Mas diante de um cenário inflacionário bastante resistente a Companhia mostrou números de quem está se esforçando.

Passando agora para o resultado financeiro de cara notamos que foi o que “trouxe” os resultados da Companhia. Se por um lado o crescimento dos prêmios, devido a deterioração econômica doméstica, apresentou tímido crescimento o resultado financeiro no trimestre veio bem forte. A Porto Seguro obteve crescimento de 29,7% em seu resultado financeiro total (colocado acima nos destaques). Este ponto da análise nos parece muito interessante, pois mostra os possíveis movimentos táticos que os gestores de recursos da Companhia vêm fazendo. No 3T15 o cenário econômico estava se encaminhando para um pico inflacionário (não que não possa voltar) e a Empresa apresentava uma alocação de 34% em pós fixados e 29% prefixados. Com isso, ela olhou para o horizonte e havia uma extrema indefinição quanto a evolução da taxa de inflação. Devem ter se perguntado: aonde esses números vão parar? Diante disso, ela optou no 4T15 por fazer uma “super” exposição aos títulos pós ficando com 60% alocada nesta classe em detrimento do 3% nos pré-fixados. Agora estamos vendo leves quedas nos índices inflacionários mas ainda cedo para se traçar cenários. Mesmo assim muitas Empresas, Casas de Análise e Planejadores Financeiros já veem uma possível queda nas taxas de juros no futuro. Com isso, pode-se notar claramente a manobra dos gestores da Porto Seguro de retorno gradual para as posições em títulos pré com 24% da carteira e ficando em 39% nos pós fixados. A Companhia ganhou com as duas pontas. Tanto com a exposição aos títulos pós fixados devido a acentuada inflação quanto com os pré-fixados que se beneficiaram pelo fechamento das taxas de juros. Vamos acompanhar a evolução dos índices inflacionários. Se os índices apresentarem fraqueza a estratégia de retorno aos títulos pré-fixados se mostrarão eficientes. O retorno total da carteira excluindo a previdência foi de 119% do CDI no trimestre.

Falando um pouco sobre a geração de caixa da Empresa tivemos uma pequena queda na geração operacional de caixa passando de R$ 325 milhões para R$ 316 milhões. O fluxo de caixa livre também apresentou a mesma tendência de pequena queda decrescendo de R$ 248 milhões para R$ 235 milhões.

Um outro destaque divulgado pela Companhia foi a compra da carteira de seguros de automóveis da Empresa Chubb. O objetivo da Empresa com esta aquisição foi de reforçar seu posicionamento em veículos de auto valor que fica dentro da marca Porto Auto. A frota assegurada da Chubb será incorporada no produto Auto Premium que foi lançado recentemente e deverá confirmar a presença neste segmento. Em 2015 os prêmios auferidos pela Chubb foram de R$ 250 milhões, correspondendo ao equivalente a cerca de 3% da carteira de automóveis da Porto Seguro. Os dados mostrados pela Susep ainda indicam que a Chubb apresentou prejuízos nos anos de 2015 e 2014. Diante disso, se questionou o objetivo da Porto Seguro em efetuar esta compra, já que os números apresentados não são bons. Mas a Empresa comunicou que acreditam nas sinergias, ganhos de produtividade, fácil absorção do negócio pelo portfólio da Companhia. Eles também disseram que já passaram por experiências semelhantes em momentos passados que deram certo e apresentavam semelhanças com esta operação. Nos resta acompanhar se realmente existem sinergias que possibilitem ganhos de produtividade nesta aquisição.

Por fim, alguns comentários que não foram ditos e podem ser interessantes para o melhor domínio sobre o case de negócios da Porto Seguro. Foi dito que o forte resultado da controladora, que é apresentado separadamente dos CNPJ’s das Seguradoras pertencentes a Porto Seguro, se deu pela alta exposição ao mercado acionário. Neste mercado a oscilação é muito mais forte podendo-se verificar tanto resultados muito positivos como até resultados negativos.
A Porto Seguro não é tão ávida, pelo seu modelo de negócios, a fazer muitas aquisições. Com isso, ela está aberta a conversas mas nada que esteja no radar hoje.
Eles permanecem com expectativas para o breakeven da Conecta para o final de dezembro de 2016 alinhado ao Soft Guidance. Esperam abrir 2017 com lucro nesta operação.

O  teatro da Porto Seguro está localizado junto a sede da Companhia. Possui área total de 4.100m², com capacidade para 508 lugares, estacionamento no local e um café gourmet.

2 Comentários


  1. Valeu Felipe por esse excelente post. Mas deixa eu te fazer uma pergunta, quais sao os indices (claro alem do IC) que vc analisa para comparar a Porto Seguro com as suas concorrentes ?
    Um gde abs,augusto

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  2. Alguns pontos que seriam interessantes de serem analisados em conjunto é o comportamento dos prêmios, como está a sinistralidade, o ROE, se as despesas estão sendo bem controladas. Aí talvez partiremos para uma análise até um pouco mais subjetiva de tentar avaliar o que a empresa está fazendo para melhorar seus resultados e por aí vai.

    Pelo que a gente viu foi um ano pior com a queda de na venda de veículos aliado a um aumento da sinistralidade. Mas a companhia parece confiante no seu planejamento tanto é que acreditam em aumentos de lucro. Vamos ver para esse ano como ficará esta dinâmica de Selic em queda vs reajustes de preços + mix de produtos mais adaptados para o momento + possível melhora do setor automobilístico.

    É esperar para ver. No mais acho que navega estável.

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