Análise Fundamentalista: Empresa WEG S.A. (WEGE3) – 2° trimestre 2016

A partir desta série de
análises fundamentalistas gostaríamos de propor uma nova maneira de dividir e discorrer o
estudo. A ideia é colocar sub grupos e ir analisando cada um deles de modo a
tentarmos melhor avaliar o estágio em que a Companhia se encontra. Antes de
prosseguirmos gostaríamos de deixar bem claro que as análises de balanços aqui contidas
neste site não ensejam em nenhum tipo de recomendação ao investidor referente a
compra, venda ou manutenção do ativo. A ideia é fornecer aos nossos leitores
uma análise dinâmica, imparcial e que traga informações importantes sobre as
Companhias.
Voltando ao temas
sugeridos, teremos 6 tópicos, são eles: Receita e Lucratividade, Geração de
Caixa (Ebitda e FCO), Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa),
Produtividade (Margens), Investimentos (Capex) e Custos e Despesas (CPV,
Administrativas e Vendas). Esta é uma nova proposta, portanto vamos ver como
este novo modelo irá nos mostrar o desempenho das Empresas.
1) Receita
e Lucratividade:

A Receita Líquida foi de R$ 2.335,3 milhões no 2T16, 0,6% menor do que o mesmo
período do ano anterior e 3,4% menor do que no 1T16.

O Lucro Líquido foi de R$ 255,0 milhões no 2T16, 2,3% menor na comparação com o
2T15 e queda de 9,7% em relação ao 1T16.
O
cenário doméstico continuou em estado letárgico com baixa demanda por novos
projetos. Isso impactou os negócios da WEG onde talvez, segundo a Companhia,
tenha sido o trimestre mais difícil desde o início da crise. Desde 2010, este
trimestre foi a primeira vez em que vimos retração na receita líquida, a
volatilidade do dólar é mais um fator que pode mexer com o nível de receitas da
Empresa. A volatilidade é o que mais dificulta em relação ao câmbio, impactando
toda a cadeia produtiva e a atuação das áreas comerciais.
No
Brasil hoje, a tendência é de que haja uma melhora, porém ela evidentemente
pode ou não ocorrer. Mesmo que haja esta tendência os sinais ainda não são
claros. O que estamos vendo é um investimento industrial baixo sendo voltado
apenas para reposição da base instalada, enquanto decisões sobre projetos de
expansão de capacidade, sejam greenfield ou brownfield, seguem sendo
postergadas. Na teleconferência de resultados ocorrida em 28/07/2016 foi questionado
se no mês de julho já houve algum tipo de turning
point
(ponto de virada) dos
negócios da WEG. A direção alegou que
o que está muito difícil é ter uma consistência nos resultados. Tem uma semana
que é boa e a semana seguinte desaponta. O que se nota é que parece que parou
de piorar, isso fica claro a partir de maio e junho.
Tivemos
a notícia também de que todos os ganhadores do leilão A-5 realizado em abril de
2016 são clientes da WEG. Embora não tenha sido um leilão de grande porte essas
empresas têm 5 anos para despachar a energia, logo será uma receita futura para
a WEG. As usinas serão construídas ao longo destes anos.
Outras
duas notícias interessantes que foram faladas na teleconferência de resultados
foram o fechamento de contrato para fornecimento de energia solar para 100 agências
da Caixa Econômica Federal e a atuação mais forte da Empresa no mercado de tintas
e vernizes para o mercado de auto peças. A WEG era um fornecedor com menor market share neste segmento mas que vem
ganhando posições, apesar de não ser um mercado em crescimento.
Inicialmente o projeto contemplou a instalação de sistemas fotovoltaicos para 44 agências da Caixa Econômica Federal. Este primeiro estágio somou 3.360 kWp (quilowatts-pico) em capacidade de geração, com investimentos de R$ 26 milhões. O projeto inteiro contemplará no total 100 agências.
Embora não seja um mercado em franca expansão, a WEG ganhou participação de mercado no segmento de tintas e vernizes para o setor de auto peças.
2) Geração de Caixa (Ebitda e FCO):

O Ebitda foi de R$ 326,1 milhões, 7,4% menor do que o mesmo período do ano
anterior e 4,7% menor do que no 1T16. Se pegarmos o primeiro semestre de 2016
em relação ao mesmo período de 2015 a queda foi de 4,6%.

O Fluxo de Caixa Operacional foi de R$ 1.099,8 milhões no 1° semestre.
Nitidamente
devido ao mercado mais desafiador no Brasil e até no exterior com negócios
relevantes para a WEG como, por exemplo, o mercado de mineração e óleo &
gás com as commodities em patamares mais baixos vem afetando os resultados da
Companhia. Os dois setores juntos representam 5% da carteira de clientes da WEG
diretamente. Mas indiretamente este percentual tende a aumentar muito, já que a
Companhia vende para fornecedores das empresas de mineração e Óleo & Gás.
Estando em ciclo desfavorável as empresas deste setor não fizeram novos
investimentos para ampliação da capacidade produtiva. Isso pôde ser observado
no ebitda que sofreu. Na realidade a indústria como um todo sofre bastante e
para a WEG talvez a queda não tenha sido maior devido a sua exposição ao
mercado externo. Portanto, o ebitda nos diz como está o Core Business (termo
inglês que significa a parte central de um negócio ou de uma área de negócios) da companhia, sendo influenciado pelo ciclo de
negócios no Brasil e no exterior.
Por
outro lado, a Empresa mostra seu perfil mais defensivo no sentido que consegue gerar
um forte caixa operacional para fazer frente aos períodos de incertezas que
podem perdurar por mais tempo. Pode-se perceber ganhos de eficiência na gestão disciplinada
do capital de giro. Destaque para os ganhos de eficiência no gerenciamento de
estoques, contas a receber, contas a pagar e adiantamento de clientes,
compensando em partes o cenário de desaquecimento econômico.
3) Endividamento
(Caixa e Estrutura de Capital):
 
Em
30 de junho de 2016 as disponibilidades e aplicações financeiras totalizavam R$
4.193,0 milhões, aplicados em bancos de primeira linha e majoritariamente em
moeda nacional. A dívida financeira bruta totalizava R$ 4.273,7 milhões, sendo
20% em operações de curto prazo e 80% em operações de longo prazo. A dívida
líquida era de R$ 80,7 milhões. Do valor total de disponibilidades financeira
temos R$ 4.045,3 milhões em aplicações de curto prazo e R$ 147,7 milhões em
aplicações de longo prazo.
A
estrutura de capital da WEG nos parece conservadora e interessante. Eles
costumam parear a dívida bruta ao montante que está no caixa. Isso torna o
modelo de negócios da Companhia mais defensivo e com mais gordura para
enfrentar períodos mais desafiadores como o atual. Segundo os diretores, a
Empresa ainda vem encontrando boas opções de financiamento, fazendo com que o
rendimento do caixa esteja em um patamar acima do que os juros da dívida.
O
principal e mais eficiente parâmetro de avaliação de endividamento das empresas
é a Dívida Líquida sobre o Ebitda. Considera-se adequado uma dívida
líquida/ebitda < ou = 3, mas é evidente que cada caso é um caso e também
depende do perfil do investidor quanto ao seu apetite a risco. Se pegarmos o ebitda deste trimestre no valor de R$ 326,1 e fizermos uma conta de padaria
multiplicando-o por 4 (um ano cheio) teríamos R$ 1,3 bilhões o que dividido pela
dívida líquida é igual a 0,06 vezes o que representa uma dívida bem pequena.
4) Produtividade
(Margens):

A Margem bruta alcançou no  2° trimestre
de 2016 27,5%, representando queda de 1,1 ponto percentual em relação ao 2T15 e
0,3 ponto percentual em comparação ao 1T16.
– A
Margem Líquida atingiu no 2T16 10,9%, representando uma queda de 0,2% em
relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação aos primeiros semestres
inteiros do ano de 2015 em comparação ao ano 2016 a margem permaneceu estável
em 11,3%.

A Margem Ebitda atingiu no 2° trimestre de 2016 14,0%, 1,0 ponto percentual
menor do que o mesmo período do ano anterior e 0,2 ponto percentual menor do
que o 1T16.
A
partir das margens pode-se perceber que diante de uma receita mais apertada
houve queda de produtividade. É evidente que o investidor deve contextualizar
a performance do trimestre traduzido em um momento que os próprios gestores da Companhia
avaliam como o mais difícil desde o início da crise. O sócio
tem de monitorar se realmente estamos nos aproximando de um ponto de inflexão
para a retomada dos investimentos. Hoje, os sinais ainda não estão claros.
A
WEG teve dificuldade ao fazer seus repasses de preços sem que houvesse queda
nos volumes. Logo, os novos reajustes de preços não compensaram a queda dos
volumes e isso pôde ser visto no comportamento das margens. A diretoria da
Companhia na teleconferência de resultados ocorrida no dia 28/07/2016 bateu muito na tecla da preservação de margens, talvez tenha sido a forma encontrada
para mitigar as adversidades do momento. Porém, eles deixaram muito claro que
os possíveis ganhos de produtividade no futuro só virão quando a economia
brasileira mostrar uma recuperação efetiva.
5) Investimentos
(Capex):
A expansão da capacidade produtiva no
exterior, com destaque para as novas unidades produtoras de motores elétricos
no México e na China, continuou representando a maior parte dos investimentos
da WEG em ativos fixos. A velocidade dos desembolsos estão sendo ajustados com o
objetivo, segundo a Empresa, de otimizar a capacidade disponível no Brasil e maximizar
o retorno sobre o capital investido globalmente, o projeto de longo prazo não
se altera.
No
primeiro semestre de 2016 os investimentos em expansão e modernização de
capacidade produtiva totalizaram R$ 194,5 milhões, sendo 76% destinados aos
parques industriais e demais instalações no exterior e 24% destinados às
unidades produtivas no Brasil.
O
valor orçado de investimentos em imobilizado para 2016 é de R$ 470,0 milhões.
Como os investimentos da WEG em aumentos de capacidade tem característica modular, a Empresa visa
continuar o monitoramento do desempenho dos mercados, de modo a melhor
direcionar seus investimentos. Desta forma, existe a possibilidade que o guidence para investimentos seja
reduzido até o final de 2016. A WEG não é uma Empresa intensiva de capital,
portanto ela pode ir fazendo os investimentos com mais tranquilidade de acordo
com cenário que é proposto.
A WEG possui três unidades fabris no México, são elas: WEG México S.A., localizada em Huehuetoca (na foto), WEG Transformadores México, também localizada em Huehuetoca e Voltran S.A., localizada em Tyzayuca. Contando as três unidades, a WEG possui mais de 1.220 colaboradores no país.
A fábrica, que começou a ser construída em janeiro de 2015, atualmente conta com 350 colaboradores operando em uma área de 35.000 mil metros quadrados. O projeto para a unidade de Rugao prevê que até 2020 tenha área construída de 90.000 metros quadrados e mais 3.000 colaboradores. Com investimentos de mais de 120 milhões de dólares, Rugao passa a ser a maior unidade produtiva da WEG na China.
A unidade de Nantong, na China, tem grande importância na história da WEG, já que foi a primeira fábrica do Grupo no continente asiático, inaugurada em março de 2005. Atualmente, ela conta com mais de 620 colaboradores, trabalhando na produção de motores elétricos de alta e baixa tensão.
6) Custos e
Despesas (CPV, Administrativas e Vendas):

O Custo dos Produtos Vendidos (CPV) no 2T16 atingiu R$ 1.693,6 milhões, 0,9%
acima do 2T15 e 2,9% abaixo do 1T16.

No 2T16 as despesas de vendas, gerais e administrativas (VG&A) consolidadas
atingiram R$ 354,1 milhões, com crescimento de 2,9% sobre o 2T15 e queda de
1,9% sobre o 1T16.
Notadamente
a WEG fez um grande esforço para contenção de custos mesmo em um cenário de
inflação elevada. Ela vem fazendo uma redução de custos e despesas de modo a se
adequar a realidade do mercado. A partir de junho deste ano a Companhia tem
adotado uma redução da jornada de trabalho e férias coletivas. O objetivo é a
redução de custos mantendo a estrutura de negócios diante de uma possível
melhora no cenário econômico.
Os
preços das commodities metálicas também exercem influência nesta linha de
resultados da Empresa, principalmente o Cobre e o Aço. O Cobre tem se mantido
estável sem grande volatilidade, o que é sempre bom para a Empresa. O aço
recentemente experimentou uma forte queda que foi revertida neste trimestre.
Iremos colocar um link abaixo para que os investidores possam consultar o valor
das commodities metálicas que fazem parte do case de negócios da WEG.
Outro
questionamento foi acerca da influência que dólar tem em relação ao custo dos
produtos vendidos (CPV), se com esta queda poderia haver algum ganho. A direção
alegou que sim. Ao longo de todo o ano passado houve um desafio muito grande
para fazer o repasse de preços. Agora o movimento é o contrário mas eles
deixaram muito claro que isso por si só não adianta, é necessário que os
volumes de vendas aumentem diante de uma recuperação do mercado sobretudo no
Brasil.

1 comentário


  1. Felipe, sua análise foi muito didática! Vou utilizar como material de referência para a Pós em Finanças Aplicadas da PUC Minas. A WEG é um ótimo caso de análise! Acredito no retorno desta empresa.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *