Análise Fundamentalista: Empresa Ultrapar S.A. (UGPA3) – 1° trimestre 2016

Grupo Ultra ou Ultrapar é constituído como uma
holding pela qual todas as suas subsidiárias são integralmente controladas. O
Grupo Ultra é composto pelas seguintes subsidiárias: A Ipiranga que atua no
setor de distribuição de combustíveis, a Ultragaz que faz distribuição de gás
(conhecido como GLP – Gás Liquefeito de Petróleo) para residências e para o
setor industrial, a Oxiteno no ramo de produção de especialidades químicas
(óxido de eteno e seus principais derivados) voltado para o setor industrial, a
Ultracargo que está dentro do mercado de armazenagem de granéis especiais
sólidos e líquidos e por fim a Extrafarma que atua no varejo farmacêutico.
Primeiramente, vamos
falar um pouco sobre o resultado do Grupo Ultra consolidado.
– 12% de crescimento
de Receita Líquida em relação ao 1T15.
– 7% de Crescimento de
Ebitda em relação ao 1T15.
O Lucro Líquido
apresentado no 1° trimestre de 2016 foi impactado principalmente pela pressão
inflacionária e a maiores despesas financeiras em decorrência de uma maior
dívida líquida.
No trimestre a
Companhia destinou para investimentos o montante de R$ 292 milhões com os
objetivos de intensificar a diversificação de seus negócios e ofertar novos
produtos e serviços aos seus clientes. O investimento total previsto pela
Empresa neste ano é o equivalente a R$ 1,8 bilhões.
Interessante notar que
este é o 39° trimestre consecutivo de crescimento de Ebitda em comparação
anual. O indicador de endividamento Dívida Líquida/Ebitda da Ultrapar ficou em
1,5 vezes, lembrando que tradicionalmente no 1° trimestre o investimento em
capital de giro é um pouco mais forte. A Companhia ainda disse que a flutuação
da dívida líquida é o que mais influencia no resultado financeiro. Os juros
maiores ano contra ano também é um fator negativo para este resultado. Já a
variação cambial não tende a impactar muito, já que a parte em dólar está hedgeada não havendo efeito caixa. O hedge tem com a variação do dólar apenas
efeitos cambiais de marcação a mercado. Aqui o investidor deve ficar atento em
relação ao comportamento do indicador Dívida Líquida/Ebitda, pois quanto maior
ele for maior será a pressão sobre o resultado financeiro e por consequência no
Lucro Líquido.
Agora
iremos falar um pouco sobre cada negócio da Companhia:
Sede da Ipiranga em Porto Alegre, localizada na Avenida Dolores Alcaraz Caldas, 90. Curiosamente, este edifício é um dos imóveis da carteira do Fundo de Investimento Imobiliário HGRE11. O Fundo tem 100% de participação no empreendimento.
– Ipiranga:
A continuação do
cenário econômico enfraquecido influenciou bastante no resultado da Ipiranga
com queda de 3% nos volumes vendidos em relação ao mesmo período do ano
anterior. Mesmo com um crescimento da frota ao redor de 2% pesou mais a questão
do alto índice de desemprego e da menor renda disponível pelas famílias. No 1°
trimestre de 2015 o desempenho da Ipiranga foi influenciado positivamente pelo
efeito combinado do benefício temporário de ganho de estoque e uma concentração
no resultado de vendas de ativos, ficando estes valores somados na ordem de R$
89 milhões. Se eliminarmos estes efeitos pontuais o Ebitda teria crescido na
ordem de 14%. As expectativas da Empresa para a Ipiranga (note que expectativas
podem ou não ocorrer) diante do cenário econômico desafiador que vem se
arrastando em 2016 é de um comportamento de volume vendido e Ebitda bem
parecidos com o que já vem sendo reportado nos últimos trimestres. Neste 1°
trimestre ocorreu uma adição líquida de 11 postos e 1 uma depuração.
Sazonalmente nos 1os trimestres a abertura de postos é mais fraca. A
expectativa para abertura no ano está em torno de 350 a 400 postos. Ou seja,
para chegar neste número ao final de 2016 terão que acelerar o processo.
– Oxiteno:
O grande aumento no
volume de vendas de Glicóis na ordem de 75% apresentado no trimestre não é algo
incomum, pois trata-se de uma commodities. Além disso, outro motivo para esta
grande variação de volume se configurou em virtude das condições mais atrativas
no preço da matéria-prima devido a queda de 36% no preço do petróleo na
comparação anual. A queda de 37% no dólar em relação ao real favoreceu os
resultados, contribuindo para um crescimento de 37% no Ebitda totalizando R$
198 milhões. Pode-se perceber que os resultados de vendas no Brasil estão
estáveis e diante disso foi questionado se os números apresentados poderiam ser
considerados como um “piso” para a Companhia. Foi colocado que estamos vendo
uma estabilidade e até uma certa queda nos volumes de especialidade no mercado
interno. A queda se dá, segundo a Companhia, porque ela tem uma correlação
positiva com o desempenho do PIB. Logo, ambos se movimentam para a mesma
direção. Eles finalizaram o questionamento dizendo que para que se encontre
este “piso” a economia precisa apresentar sinais de estabilização. Para o
trimestre em curso a expectativa é que a retração da economia continue
exercendo influência sobre os volumes e devemos verificar um mix de vendas mais
concentrado em commodities. Deve-se sempre lembrar que a volatilidade do dólar
exerce muita influência nos resultados da Oxiteno.
Unidade da Oxiteno no Polo de Camaçari, na Bahia.
Ultragaz:
Devido a iniciativas
comerciais para aumentar a oferta, conveniência e comodidade dos clientes
aliado a um crescimento dos custos abaixo da inflação houve um crescimento de
50% de Ebitda ano contra ano. Esperam que para o decorrer do ano a Ultragaz
mesmo enfrentando um cenário macroeconômico adverso possa alcançar resultados
em níveis similares aos observados nos últimos trimestres dado a natureza
resiliente do negócio e as iniciativas comerciais em andamento. Tais
iniciativas visam buscar novos clientes e segmentos, como por exemplo, os condomínios
residenciais e as pequenas e médias empresas.
Fundada em 1937 pelo imigrante austríaco Ernesto Igel, a Companhia Ultragaz foi responsável por mudar os hábitos dos brasileiros ao lançar o gás engarrafado no país, e por ser a primeira empresa a comercializar o GLP a granel no mercado nacional.
– Ultracargo:
Excluindo o efeito
negativo decorrente do acidente em Santos, ocorrido no início de abril de 2015,
o volume de armazenagem subiu 6% ano contra ano muito em decorrência da queda
de preços do petróleo. O Ebitda no período ficou estável mas revertendo uma
tendência de queda observada desde o 3T15. A Companhia espera que a tendência
observada excluindo Santos permanecerá para os próximos trimestres. Já sobre
Santos eles colocaram que continuarão tendo despesas em função da 2ª fase de
descomissionamento e que mais adiantamentos de seguros na mesma ordem dos
valores verificados no trimestre (R$ 30 milhões) continuarão ocorrendo nos
próximos períodos. A Ultracargo obteve em fevereiro as autorizações para a 2ª
fase dos trabalhos de descomissionamento que consiste na retirada dos
equipamentos e estruturas danificadas pelo incêndio. A previsão para o
encerramento destas atividades está para agosto deste ano. A reabilitação da
parte danificada ocorrerá ao longo do segundo trimestre com a expectativa de
que o terminal esteja apto a solicitar o licenciamento operacional junto as
autoridades no final deste ano.
– Extrafarma:
Estão trabalhando com
um patamar de 20 novas aberturas de lojas no 2° trimestre, o que segundo eles
permitirá um crescimento esperado em torno de 60 a 80 lojas neste ano. O
resultado da Extrafarma ainda não tem tanta relevância no resultado consolidado
apresentado no 1° trimestre, mostrando um Ebitda neste período de R$ 5,2
milhões e Margem Ebitda de 1%.

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