Análise Fundamentalista: Empresa Bradesco S.A. (BBDC3) – 1° trimestre 2016

Antes de discorrer a análise fundamentalista do 1° trimestre do Bradesco
gostaríamos de ressaltar que as informações aqui contidas não indicam
qualquer tipo de decisão tomada pelo investidor relativo a compra, venda
ou manutenção do ativo. A ideia é apenas colocar as informações de
maneira clara para auxiliar os investidores a acompanharem tanto o
momento no qual a Companhia atravessa quanto o cenário em que está
inserida na economia doméstica e internacional (se houver atuação).

Vamos em frente, para fazermos a análise do Banco vamos colocar os
principais indicadores e fazer breves comentários. Talvez separar as
informações desta forma irá clarificar melhor as peculiaridades da
análise de bancos em geral. Assim como as seguradoras elas têm alguns
índices em comum que medem desempenho, inadimplência, provisões e por ai
vai.

1) Lucro Líquido Ajustado:

– R$ 4.113 bi e redução de 3,8% em relação ao lucro líquido ajustado do mesmo período de 2015.

– Deste lucro temos: 66,4% de atividades financeiras e 33,6% de atividades de seguros.

2) Retorno líquido sobre o patrimônio ajustado (ROAE):

– Registrou 17,5% em março de 2016 ante 20,6% em março de 2015.

3) Carteira de crédito expandida:

– Manteve-se praticamente estável em relação ao mesmo período do ano
anterior. Já os recursos captados e o patrimônio líquido do Banco
cresceram 11,1% e 11,2% respectivamente.

4) Índice de Basiléia III:

– Com base no conglomerado prudential 16,9% em março de 2016, sendo 12,9% de capital principal/nível1.

5) Margem Financeira de Juros:

– Atingiu R$ 14,734 bi, apresentando crescimento de 11,0% em relação ao 1° tri de 2015.

6) Índices de Inadimplência:

– Superior a 90 dias: 4,22% (3,6% em março de 2015).

– Entre 15 e 90 dias: 4,77% (4,1% em março de 2015).

7) Índices de Eficiência Operacional:

– IEO (Índice de eficiência operacional) – em março de 2016, foi de 37,2% (38,3% em março de 2015).

– IEO Ajustado (considera a inclusão da despesa de PDD, refletindo o
impacto das operações de crédito) – Em março de 2016 atingiu 47,1% ante
46,9% no mesmo período do ano anterior.

– Note que os índices de eficiência operacional são calculados a partir
da fórmula: (Despesas de Pessoal – PLR + Despesas Administrativas) /
(Margem Financeira + Rec. Prestação de Serviços + Resultados de Seguros +
Res. Participações em Coligadas + Outras Receitas Operacionais – Outras
Despesas Operacionais). Desta forma, quanto menor o índice mais eficiente estão sendo as atividades em que o Banco está envolvido.

8) Provisão para devedores duvidosos (PDD):

– Atingiu no 1°
trimestre R$ 5.448 milhões, registrando uma variação de 30% em relação
ao trimestre anterior e 52,2% em relação a março de 2015.


Foi impactada em grande parte pelo efeito do alinhamento do nível de
provisionamento de operações com clientes corporativos, com destaque a
um caso específico, cujo o agravamento de rating, impactou em R$ 836
milhões.

9) Despesas:

– Com pessoal: alta de 9%.

– Administrativas: alta de 13,1%.

2017 segundo a Companhia será o ano em que começam a surgir as primeiras sinergias do Banco com o HSBC.

Diante dos dados apresentados iremos fazer alguns comentários sobre o
resultado e o atual momento da economia doméstica. O cenário
macroeconômico continuou em 2016 sua trajetória de deterioração. A taxa
de desemprego subiu de forma muito rápida reprimindo bastante o consumo
das famílias. Como reflexo para o Banco temos uma não expansão de sua
carteira de crédito apresentando estabilidade e os níveis de
inadimplência mesmo que não tenham disparado vem apresentando um ciclo
de alta. A inadimplência é um ponto fundamental na análise, pois impacta
diretamente no provisionamento (PDD) de que falaremos a seguir. Dito
isso, o sócio da Companhia deve acompanhar de perto se esse crescimento
continuará ou dará sinais de melhora.

Um dos principais pontos que devem ser vistos é em relação a Provisão
Para Devedores Duvidosos (PDD) apresentada no balanço do trimestre
atual. De maneira simplória e comparativa a PDD é como uma “injeção”
aplicada diretamente no lucro da Companhia, ou seja, quanto mais
delicado o cenário econômico maiores as chances do Banco aumentar seus
provisionamentos. A PDD do Bradesco vem se tornando um “monstrinho” em
termos de tamanho e crescimento período a período. Neste tri ele ainda
teve um montante adicional de R$ 836 milhões o que impactou diretamente o
lucro líquido e as margens. Por um outro prisma, mostra que o
Banco é conservador e vem fazendo as provisões que se fazem necessárias.
A diretoria da Companhia reitera o cumprimento da meta estabelecida em
seu guidence. Neste caso, o topo do guidence que consiste em um provisão
de R$ 18,5 bilhões. Esse é um número importante para verificar se será
mesmo realizado.

O Índice de eficiência operacional mais uma vez veio positivo,
mostrando que as operações do Bradesco permanecem estáveis. A margem
financeira de juros também foi um ponto positivo visto no balanço. Além
disso, as atividades de seguro da Companhia mostraram resultados
levemente positivos, mostrando a força que o Bradesco tem nesta área de
atuação.

Para nós parece que um mix de PDD alta e cenário macro
adverso fizeram com os resultados do 1° trimestre não tenham sido
pujantes como nos períodos anteriores. Isto pode ser visto na queda do
lucro líquido e na queda de ROE. Este índice para os bancos é
interessante, pois o banco tem como patrimônio essencial o capital.
Logo, ela pode ter perdido um pouco de produtividade mas devemos levar
em conta o cenário que também vem jogando contra.

Por fim,
pegamos alguns pontos adicionais que foram passados na teleconferência
de resultados. A meta do Bradesco para o final do ano em relação aos
custos da Companhia é trazê-los de maneira a convergir aos índices
inflacionários, foi falado algo em torno de 7%. Espera-se que a partir
de 2017 já começam a aparecer as primeiras sinergias com o Banco HSBC,
onde o fechamento da operação ainda está em compasso de espera para a
oficialização junto ao Cade.

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