Análise Fundamentalista: Empresa Cielo S.A. (CIEL3) – 2° trimestre de 2016

Apresentamos aos leitores do Prateleira de Ativos a análise fundamentalista de mais uma companhia listada em Bolsa de Valores e que integra o Índice Bovespa (Ibovespa), trata-se da empresa de serviços financeiros focada em meios de pagamento Cielo S.A. referente ao 2° trimestre de 2016. Adotaremos o mesmo modelo das últimas análises de resultados (BRF, WEG e Grendene), seguindo o seguinte roteiro: Receita, Ebitda e Lucratividade, Geração de Caixa (Fluxo de Caixa), Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa), Produtividade (Margens), Investimentos (Capex) e Gastos Totais (Custos e Despesas).

1) Receita, Ebitda e Lucratividade:

1.1) Receita:

Receita Cielo Consolidada: Totalizou R$ 3,1 bilhões no 2T16, aumento de 9,8% em relação ao 2T15, ou R$ 273,2 milhões, e aumento de 0,7% em relação ao 1T16, ou R$ 21,1 milhões.


Receita Líquida com aquisição de recebíveis pro-forma:  Totalizou R$ 339,5 milhões no 2T16, aumento de 21,5% em relação ao 2T15, ou R$ 60,1 milhões, e redução de 1,4%, ou R$ 4,7 milhões em relação ao 1T16.

Receita Líquida da Cateno: Aumento de 6,6% ou R$ 37,8 milhões, para R$ 609,4 milhões no 2T16, comparada com R$ 571,7 milhões no 2T15 e com relação ao 1T16 aumentou R$ 16,4 milhões, ou 2,8%.

Comportamento da Receita Líquida Cielo. Fonte: www.fundamentus.com.br

1.2) Ebitda:

Totalizou R$ 1,3 bilhão, queda de 0,5% em relação ao 2T15, ou R$ 6,8 milhões, e redução de 4,2% em relação ao 1T16, ou R$ 58,6 milhões.

Comportamento do Ebit ao longo dos períodos.

1.3) Lucro Líquido:

Totalizou R$ 989,2 milhões, aumento de 13,8% em relação ao 2T15, ou R$ 119,8 milhões, e redução de 0,6% em relação ao 1T16, ou R$ 6,2 milhões.

Relação entre o Lucro Líquido da Cielo e a distribuição de proventos. Pode-se notar nos últimos períodos uma queda em função dos pesados investimentos na Cateno.
Evolução patrimonial ao longo do tempo.

A performance da Cielo vis a vis a performance da indústria está de certa forma até superando as expectativas, ou seja, não estão perdendo market share como se previa. Embora o foco da Companhia não seja o market share mas sim a questão da rentabilidade. A Empresa começa a pensar em um possível ponto de inflexão no consumo privado brasileiro. Rômulo Dias, CEO da Empresa, sugere pegar o ICVA que é divulgado mensalmente pela Cielo, onde constata-se que na comparação entre abr/15 x abr/16, mai/15 x mai/16 e jun/15 x jun/16 há uma diminuição do ritmo de desaceleração. Está sendo considerado neste racional o índice deflacionado e já levando em consideração os efeitos relativos ao calendário.

O yield de receita foi impactado negativamente pelo produto agro. Considerando que o agro volte ao patamar de 2014, segundo a direção, a Cielo deveria ter para o segundo semestre deste ano um aumento do yield de receita. Tomando como base o que está sendo visto no 2° trimestre que ficou em  1,26 (estava em 1,31), se excluirmos o efeito do agro este número iria para 1,32. Ou seja, foi em razão do mix de produtos. O sócio deve acompanhar o comportamento do yield de receita da Companhia. Os motivos para a queda parecem plausíveis, já que o volume de transações para o produto neste 2T16 apresentou um aumento de 170,1%. Pulou de R$ 2.468,2 milhões no 2T15 para R$ 6.665,5 no 2T16.

O produto agro de fato distorce os números. O crescimento deste produto na ordem em que foi no 1° semestre não irá de repetir no 2° semestre, segundo a direção da Companhia. Neste momento, o crescimento do produto será mais modesto devido a uma base de comparação no 2° semestre de 2015 mais forte.

Foi questionado acerca do comportamento do produto de antecipação de recebíveis para os próximos períodos. A diretoria colocou que para o ano de 2016 possivelmente a Cielo ficará na faixa de crescimento entre 19% e 21% na penetração da carteira de crédito. É possível que este crescimento não se repita nos próximos períodos a medida que os bancos voltem a conceder crédito. É interessante notar na Cielo sua diversificação de portfólio, onde muitas vezes um produto não vai tão bem em detrimento de outro.

É importante ressaltar que a Companhia revisou seu guidance divulgado ao mercado no início de 2016. São eles:


– Crescimento do Volume Financeiro da Indústria: 

Estimativas Anteriores: 5,5% a 7,5%

Estimativas Revisadas: 7% a 9%

Acumulado 6 meses: 8,7%

– Cielo Brasil e Cateno: Custos e Despesas Totais:

Estimativas Anteriores: 4% a 6%

Estimativas Revisadas: 6% a 8%

Acumulado 6 meses: 7,7%

– CAPEX (compra de terminais de captura):

Estimativas Anteriores: R$ 450 milhões

Estimativas Revisadas: R$ 400 milhões

Acumulado 6 meses: R$ 100,3 milhões

2) Geração de Caixa (Fluxo de Caixa):


Neste 1° semestre de 2016 a Cielo gerou em suas atividades operacionais R$ 3.680,8 milhões sendo destinados R$ 1.716,1 milhões para pagamentos de empréstimos, R$ 295,4 milhões para investimentos em imobilizados e intangíveis e juros sobre capital próprio e dividendos no valor total de R$ 1.193,7.

Como pode-se notar a Companhia apresenta uma forte geração de caixa sem o tamanha necessidade de investimentos em imobilizados e intangíveis. Com isso, a Cielo teve capacidade de fazer frente ao pagamento de parcela de sua dívida. Em relação ao endividamento da Empresa detalharemos mais a frente na análise.

Foi questionado em teleconferência de resultados referentes ao 2T16 sobre a previsão de pagamentos futuros de JCP e dividendos. O JCP, segundo a companhia, pode vir no segundo semestre. Em relação ao possível aumento de payout no futuro a direção deixou bem clara que esta decisão cabe ao conselho de administração da Companhia. A diretoria faz as propostas diante dos cenários mas a decisão final é do conselho.

Falando um pouco sobre a Cateno ela apresentou uma contribuição líquida “Cash Basis” de negativo em R$ 3,1 milhões, significando que no 2 semestre ela passa a gerar caixa. É importante destacar que na Cateno existe a amortização do intangível no período 30 anos representando R$ 96,4 milhões por trimestre.

3) Estrutura de Capital (Endividamento e Caixa):
O saldo final relativo ao 2T16 de caixa e equivalentes de caixa da Cielo totalizou R$ 1.228,5 milhões. O endividamento líquido da Companhia ficou em R$ 9.600,0 milhões o que resulta em uma relação Dívida Líquida/Ebitda igual 1,2x. No trimestre, houve o pagamento de parcela da dívida no total de R$ 1,5 bilhão de principal e R$ 300 milhões em juros referentes as debêntures públicas ocorrido em abril.

 

4) Produtividade (Margens):
 
Margem Ebitda: 44,0%, redução de 4,5 pontos percentuais em comparação ao 2T15 e queda de 2,2 pontos percentuais em relação ao 1T16.

 

 

Margem de lucro líquido Cielo: 32,2%, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao 2T15 e redução de 0,5 ponto percentual em comparação ao 1T16.

 

 

Foi questionado na teleconferência de resultados acerca do comportamento das margens da Cateno para o próximo semestre. Foi colocado pela direção da Cielo que o 2° trimestre foi um outlier na performance da Cateno por causa das despesas, principalmente pela parte de embossing (operação massiva de emissão de cartões). Ou seja, no que se refere a gastos houve uma saída do que é considerado recorrente.

 

 

5) Investimentos (Capex):

 

 

 

Como já colocado acima houve uma revisão relativa ao montante gasto com capex de compra de terminais de captura (POS). Originalmente, esperava-se a alocação de R$ 450 milhões e que passou para R$ 400. Essa redução teria ligação, segundo a Companhia, a mortalidade de pequenos lojistas e ao impactado pelo projeto multivan (captura de todas as bandeiras), que já está a todo o vapor.
O projeto multivan de abertura de bandeira entre os concorrentes sem dúvida é importante, pois dá uma outra perspectiva para o lojista. Em termos de competitividade de preço a Cielo ainda não verificou nenhum comportamento muito diferente do já vinha ocorrendo no 1° trimestre deste ano. Quem era mais agressivo continua sendo mais agressivo, logo não há uma mudança significativa.
Sobre a Lio, a Cielo diz que está com um bom problema bom que é fazer a oferta e essa oferta já está acontecendo na rua com projetos piloto e a Empresa continua com a meta de instalar 50.000 Lio’s até o final do ano. A demanda tem sido bastante forte e espera-se que por conta da gestão do negócio que a Cielo oferece dentro da Lio possa ser um fator de decisão importante por parte da indústria no sentido de ajudar a reter clientes.
A expectativa da companhia para a nova máquina, batizada de Cielo LIO, é ter 50 mil unidades em todo o Brasil neste ano e 1 milhão em cinco anos, segundo o presidente da empresa, Rômulo de Mello Dias.

6) Gasto Total (Custos e Despesas):

 
Na comparação entre o 2° trimestre de 2016 e o mesmo período do ano anterior houve um aumento dos gastos totais da Cielo consolidada na ordem de 17,7%. Passando de R$ 1.666,0 milhões para R$ 1.961,1 milhões. Comparando o 2T16 com o 1T16 o aumento foi de 3,9%.
O principal ofensor relativo ao gasto total que apresentou crescimento de 17,7% 2T16 x 2T15 foram os custos das controladas Merchant e-Solutions resultado da apreciação do dólar médio do trimestre e da continua expansão dos negócios e da M4U decorrente do aumento das despesas de vendas de recargas de celular. Além disso, houve um aumento de gastos com rescisões e aposentarias na ordem de R$ 10 milhões.
O gasto total da Cateno que apresentou aumento de 10,1% foi negativamente impactada ao foco dado no 2° trimestre a emissão de cartões Elo pelo Banco do Brasil, entre outros. Excluindo gastos extraordinários no total de R$ 23 milhões, principalmente devido ao embossing e postagem dos cartões Elo emitidos. O gasto total teria crescido 4,4% ano contra ano. Na comparação do 1T16 com o 2T16 excluindo estes gastos o aumento teria caído 1,1%.
Quando vemos na tabela do guidance com aumento de custos no 1S16 igual a 7,7%, se retirássemos os não recorrentes este número seria de 6,4%. Isso para um volume que está crescendo 8,7%. Os volumes estão sendo melhores mas em hipótese alguma a companhia irá frear seus esforços para buscar mais crescimento. A Cielo nunca deixa de olhar o bottom line e isso em uma base diária, segundo a direção da Empresa.

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