Bradesco (BBDC3): Análise fundamentalista de resultados – 2016

Olá pessoal,

Tudo certo com vocês?

Foi dado início a mais uma temporada de balanços, a do 4° trimestre e fechamento do ano de 2016. Hoje, vamos passar pelos resultados do Banco Bradesco que consolidou suas operações junto ao Banco HSBC S.A. a partir de primeiro de julho de 2016. Vamos abordar alguns números e indicadores reportados pelo Banco, bem como fazer uma análise do momento econômico atual. O case bancário embora seja considerado mais resiliente e sem grandes variações de resultados, também tem um caráter cíclico. Isso é que vamos ver no decorrer da análise.

 

A primeira mudança que podemos notar com a incorporação do HSBC foi a Carteira de Crédito Expandida. Nos últimos 12 meses apresentou um crescimento de 8,6%, isso considerando a entrada do HSBC em julho. No gráfico abaixo, vocês poderão ver o crescimento da carteira de crédito e como se comporta o nível da carteira para os diferentes segmentos.

O segmento que mais apresentou crescimento de crédito foi o de Pessoa Física, apresentando uma alta de 16,4%. Os produtos que mais cresceram destinados as Pessoas Físicas foram o financiamento imobiliário e cartões de crédito. Na tabela abaixo pode-se avaliar a performance da carteira de crédito nos diferentes segmentos.
O que se viu durante o ano de 2016 foram uma série de fatores encadeados que deixaram a economia doméstica em estado de letargia. Os juros ainda altos, uma inflação elevada mas que a partir do meio do ano apresentou melhoras, um nível crescente na taxa de desemprego que fez com que o consumo caísse bastante, entre outros. Além disso, no campo das pessoas jurídicas esse canário fez com que muitas companhias aumentassem muito o seu grau de endividamento e isso resulta em um aumento de inadimplência. Com este cenário o banco é obrigado a aumentar as suas reservas e isso veremos mais a frente com a Provisão para devedores duvidosos (PDD).
Este é um dos motivos do case bancário ser considerado cíclico, pois ele depende de uma economia girando de forma adequada com bons níveis de emprego, taxas de juros menos agressivas e uma inflação menos elevada. Note que todos esses pontos estão encadeados, ou seja, uma menor taxa de desemprego gera um maior consumo e em consequência um aumento do crédito. Já as taxas de juros dependem fundamentalmente dos índices inflacionários que por sua vez dependem do nível de consumo.
Vamos analisar como se comportou a PDD do Bradesco em 2016:
Como pode-se notar a PDD apresenta níveis bem mais elevados do que 2015 e ainda apresentou uma perda com um cliente específico na ordem de R$ 1,2 bilhões.
Agora veremos pontos importantes da junção do Bradesco junto ao HSBC que estão no Demonstrativo de Resultados. Ele nos mostrará pontos importantes como, por exemplo, as receitas, despesas, prêmios de seguros e outros.
Vimos crescimentos em várias linhas tanto ligadas a receitas quanto a despesas. Talvez seja cedo para analisar como será a cara do novo banco, pois ainda é necessário um tempo para que as operações se unam e trabalhem de maneira integrada. No momento, o Bradesco parece perder um pouquinho de produtividade mas considerada dentro do esperado diante de uma incorporação desse tamanho. Esta perda de produtividade pode ser vista na imagem abaixo a partir do ROAE:
Analisar qual será a cara desta nova companhia e possíveis ganhos de produtividade no futuro é importante, já que esta é uma das expectativas da gestão.
Importante falar sobre os níveis de inadimplência que acima de 90 dias vem apresentando altas sucessivas deste do início de 2016 em todos os segmentos. Este é um ponto que deve-se ficar atento para ver até aonde vai.
Já os índices de inadimplência entre 15 e 90 dias apresentram uma notícia positiva com a queda para o segmento de pessoas físicas.
A análise de bancos é algo complexo, pois envolve uma série de indicadores que se comunicam entre si gerando o resultado do banco. O Lucro Ajustado no trimestre apresentou um leve queda, o que mostra a resiliência e segurança mesmo em um cenário complicado.
Continuando a análise, e como último item, vamos pegar um indicador que talvez possa ser pouco conhecido mas também apresenta muita importância.
Trata-se NPL Creation. Vamos explicar o porque de sua importância antes. Bom, como já falamos acima com um cenário de alto desemprego, alta taxa de juros e alta inflação a tendência é que aumente o incumprimento por parte de pessoas físicas e jurídicas quanto ao pagamento de suas dívidas. O crédito mal alocado por sua vez impacta demais os bancos.
A consequência imediata da grande quantidade de crédito mal parado no sistema bancário é a falência dos bancos (não estou falando que é este o caso mas um motivo pelo qual bancos quebram), argumenta-se que os empréstimos em incumprimento são uma das principais causas dos problemas de estagnação econômica. Este cenário no setor financeiro é visto como um reflexo de uma empresa em dificuldades e não lucrativa, deste ponto de vista, o combate ao incumprimento é uma condição necessária para melhorar a situação econômica.
Não obstante a utilização generalizada por diversas entidades a nível internacional da expressão “Non-Performing Loans” (NPL’s), verifica-se que não existe uma definição comum entre países. Por essa razão, considerou-se que o conceito de NPL’s que consta no manual de metodologia de compilação das estatísticas dos “Financial Soundness Indicators” do FMI constituiria o referencial mais adequado para servir de base à construção do novo indicador pelo Banco de Portugal.
Este indicador, designado “rácio de crédito em risco” (“Non-Performing Loans Ratio”), resulta assim da divisão entre o crédito em risco e o crédito total, sendo o crédito em risco definido pelo conjunto dos seguintes elementos:
  • Valor total em dívida do crédito que tenha prestações de capital ou juros vencidos por um período igual ou superior a 90 dias. Os créditos em conta corrente não contratualizados deverão ser considerados como crédito em risco decorridos 90 dias após a verificação dos descobertos.
  • Valor total em dívida dos créditos reestruturados, não abrangidos na alínea anterior, cujos pagamentos de capital ou juros, tendo estado vencidos por um período igual ou superior a 90 dias, tenham sido capitalizados, refinanciados ou postecipada a sua data de pagamento, sem que tenham sido adequadamente reforçadas as garantias constituídas (devendo estas ser suficientes para cobrir o valor total do capital e juros em dívida) ou integralmente pagos pelo devedor os juros e outros encargos vencidos.
  • Valor total do crédito com prestações de capital ou juros vencidos há menos de 90 dias, mas sobre o qual exista evidência que justifique a sua classificação como crédito em risco, designadamente a falência ou liquidação do devedor. Em caso de insolvência do devedor, os saldos recuperáveis poderão deixar de ser considerados em risco após a homologação pelo tribunal do respetivo acordo ao abrigo do Código de Insolvência e Recuperação de Empresas, caso não persistam dúvidas sobre a efetiva cobrabilidade dos valores em dívida.

Desta forma, quanto menor for o percentual sobre o total da carteira de crédito é melhor, já que evidência uma carteira mais saudável.

Bom, vamos ao números do Bradesco:
Durante uma crise econômica e uma de crédito (credit crunch), as instituições financeiras com o objetivo de restaurar a credibilidade entre os credores e depositantes, bem como eliminar o risco de falência foram obrigadas a aumentos sucessivos de capital ao mesmo tempo que tiveram de reduzir os seus ativos de risco alterando a composição dos balanços – diminuindo os empréstimos e aumentando os depósitos (Loan Deposit Ratio). Como resultado desta ação defensiva a venda de NPL’s surge como uma solução para o alívio da pressão imposta pelos acordos de Basileia que exigem rácios de solvabilidade mais robustos para o setor bancário.
Bom pessoal, esta foi mais uma análise e creio que podemos aprender muito aqui sobre análise de bancos. De fato, não é tão simples como uma varejista por exemplo mas com tempo e prática vamos pegando quais são os principais pontos a analisar.
Grande abraço investidores e até a próxima!!
Fonte: RI Bradesco e www.servdebt.com para a explicação do NPL.

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