Análise Fundamentalista: Empresa Ambev S.A. (ABEV3) – 1° trimestre 2016

Discutiremos
o estudo do atual momento da Companhia fazendo uma análise de cima para baixo (Top
Down
), ou seja, colocando as principais linhas de
resultados de cada região em que a Ambev atua separadamente. Depois iremos
colocar de que maneira foram alcançados tais resultados, bem como comentários
adicionais que ajudam a melhorar a nossa visão do negócio. Vamos aos resultados:
– Resultado
Consolidado:
Receita Líquida Reportada – Alta
de 7,4% (R$ 11.565,1 bi no 1T16 x R$ 10.768,8 bi no 1T15).
Receita Líquida Orgânica (excluí
as variações cambiais) – Alta de 2,6%.
Volume – Queda de 7,7% em relação
ao mesmo período do ano anterior.
Rol/HL – Crescimento de 11,1% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
CPV – Alta de 2,9% em relação ao
mesmo período do ano anterior.
Ebitda – Alta de 1,1% em relação
ao mesmo período do ano anterior.
Margem Ebitda – 45,5% no 1T16 x
47,1% no 1T15.
SG & A (Sales, General,
Administrative – Despesas de Vendas, Administrativas e Gerais) – Alta de 6,1%
em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ps: Volume, Rol/HL, CPV, Ebitda e
SG & A, nós colocaremos os
dados orgânicos para ter mais clareza sobre o resultado, analisando apenas os
ganhos na moeda local sem o impacto da desvalorização do real frente ao dólar
no período. No Brasil essa divisão não faz sentido, já que ambos receita
reportada e receita orgânica são iguais.
– Brasil:
Receita Líquida – Queda de 4% (R$ 6.258,1 bi no 1T16 x R$ 6.518,4 bi no 1T15).
Volume – Queda de
8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Rol/HL – Crescimento de 4,9% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
CPV – Queda de 2,9%
em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ebitda – Queda de 5,5% em relação
ao mesmo período do ano anterior.
Margem Ebitda – 51,5% no 1T16 x
52,3% no 1T15.
 SG & A – Alta de 1,6%
em relação ao mesmo período do ano anterior.
– América Central e
Caribe (CAC):
Receita Líquida
Reportada – Alta de 62,3% (R$ 1.017,6 bi no 1T16 x R$ 626,8 mi no 1T15).
Receita Líquida
Orgânica – Alta de 19,4%.
Volume – Alta de
10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Rol/HL – Crescimento de 8,1% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
CPV – Alta de 20,9% em relação ao
mesmo período do ano anterior.
Ebitda – Crescimento de 28,1% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
Margem Ebitda – 37,2% no 1T16 x
34,8% no 1T15.
SG & A – Alta de 8,2% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
– América Latina Sul
(LAS):
Receita Líquida Reportada – Alta
de 13,1% (R$ 2.973,9 bi no 1T16 x R$ 2.629,2 bi no 1T15).
Receita Líquida Orgânica – Alta
de 15,1%.
Volume – Queda de 10,4% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
Rol/HL – Crescimento de 28,6% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
CPV – Alta de 8,6% em relação ao
mesmo período do ano anterior.
Ebitda – Crescimento de 15,4% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
Margem Ebitda – 44,9% no 1T16 x
45,4% no 1T15.
SG & A – Alta de 26,9% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
– Canadá:
Receita Líquida Reportada – Alta
de 32,3% (R$ 1.315,6 bi no 1T16 x R$ 994,4 mi bi no 1T15).
Receita Líquida Orgânica – Alta
de 2,3%.
Volume – Alta de 0,9% em relação
ao mesmo período do ano anterior.
Rol/HL – Crescimento de 1,3% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
CPV – Alta de 8,5% em relação ao
mesmo período do ano anterior.
Ebitda – Alta de 29,7% em relação
ao mesmo período do ano anterior.
Margem Ebitda – 25% no 1T16 x
25,5% no 1T15.
SG & A – Alta de 25,5% em
relação ao mesmo período do ano anterior.
 Daqui em diante a análise ganha
corpo e vamos passar pela origem dos resultados, os diferentes cenários macroeconômicos
de cada região e as expectativas futuras. No resultado consolidado da Ambev
podemos ver uma expressiva queda nos volumes de 7,5% em relação ao mesmo
período do ano anterior. O resultado do Brasil foi o que mais sofreu no
trimestre devido ao adverso cenário macroeconômico. Hoje, o mercado brasileiro
representa aproximadamente 2/3 do resultado total. Os gestores da Companhia
atribuíram esse resultado a 2 fatores principalmente: enfrentaram uma difícil
base de comparação em função do carnaval este ano ter sido no início de
fevereiro e praticaram aumentos de preço para mitigar a alta de impostos
(ICMS), o que também levou a uma perda esperada na participação de mercado no
período. O ICMS sofreu aumento em algumas regiões do Brasil. Diante disso, a
direção crê que no início a indústria sente como um todo mas depois se
estabilizam até por que terão uma base de comparação mais consistente. Sobre o
aumento de preços praticado ocorreu devido a uma maior inflação no período e ao
próprio aumento no ICMS. Mesmo com a alta taxa de inflação a Ambev no Brasil
conseguiu um bom resultado na linha de SG&A apresentando alta de apenas
1,6% no trimestre. Sem dúvida pôde-se concluir que o que mais impactou o
resultado da Companhia foi a performance no mercado doméstico, especialmente cerveja.
Já a alguns trimestres as
cervejas premium vêm ganhando participação nas
vendas. Neste trimestre houve crescimento de 2 dígitos de todo o portfólio premium da Companhia liderado por um forte
crescimento da marcas internacionais, principalmente a Budweiser que é a líder
deste segmento no Brasil. Com isso a Empresa pretende acelerar o processo de
aperfeiçoamento do mix de preços das marcas premium através de uma melhor execução e
expansão do portfólio. Outro produto que vem ganhando espaço são as near beer, caso
da Skol Beats Senses, uma iniciativa que visa ganhar mercado em bebidas
alcoólicas para além do universo da cerveja. Este segmento no trimestre mais do
que dobrou o volume de produção. No segmento de cervejas o% alcoól a Brahma
segue como líder de mercado e apresentou um aumento de volume de 2 dígitos ano
contra ano. Sobre as bebidas energéticas a marca Fusion se estabeleceu como a
2ª marca com maior participação de mercado.
Foi explorado na teleconferência
de resultados de que maneira foi o processo de perda de market share, que
segundo a Ambev foi esperada. Os gestores argumentaram que implementar aumentos
de preço no 1° trimestre é uma prática muito rara na Companhia, pois não é o
melhor momento para fazer isso e este trimestre foi o que aconteceu. Os motivos
já foram expostos acima. Completaram dizendo que efetuar aumentos de preço no
meio de uma crise não tem como não perder share. Isso criou
uma dinâmica de comparação diferente quarto a quarto. Caso a Companhia optasse
por baixar os preços ela ganharia mercado mas não seria uma prática
sustentável.
Chegando na parte final da nossa
análise iremos colocar algumas passagens referentes a iniciativas de otimização
do processo produtivo, expectativas da Companhia para os próximos trimestre e
outras novidades ou observações gerais. Uma iniciativa que foi bastante
comentada e nos causou uma impressão interessante foi a maior participação das
garrafas retornáveis no seu portfólio de vendas. No trimestre, vimos um
crescimento de 100% na presença das garrafas de vidro nos supermercados.
Segundo a Companhia, os retornáveis apresentam uma menor Rol/HL mas por outro
lado um CPV/HL significativamente menor, gerando possíveis ganhos de margem e
Ebitda. Além disso, foi abordado o engajamento maior dos jovens hoje pela
questão ambiental o que os leva a muitas vezes optar por este tipo de
embalagem. Desta maneira, teríamos uma iniciativa boa para o meio ambiente, boa
para a Companhia e boa para os consumidores.
A expectativa da gestão da Ambev
é que a Receita Líquida e Ebitda acelere nos próximos trimestres principalmente
no Brasil. Esta possibilidade já vem sendo suportada pela recuperação dos
volumes no mês de abril. Segundo dados do Sistema de Controles de Produção de
Bebidas (SICOBE) houve acréscimo de 8,95% em relação a março na produção de
cerveja. Esse volume, segundo a Companhia, já reflete que passaram por uma base
de comparação mais difícil, com uma tendência significativamente melhor do que
os meses anteriores. Esta é uma expectativa da Empresa que pode ou não ocorrer,
logo é necessário acompanhar mais de perto, já que o cenário é ruim
economicamente e desastroso politicamente.
As perspectivas para os números
do guidance mesmo com este cenário não mudaram:
– Receita
Líquida no Brasil
 –
Crescimento entre um dígito médio e um dígito alto no ano.
– CPV
(excluindo depreciação e amortização)
 – Crescimento entre 13% e 17% no ano.
–  SG & A (excluindo depreciação e amortização) – Crescimento de um dígito baixo.
– Capex – No Brasil inferior aos níveis de 2015.
Pouco foi falado sobre a recente
compra da Ambev no segmento de sucos. Trata-se da marca Do Bem. Mas acreditam
que a entrada de uma marca com um conceito mais saudável pode ser uma das
alavancas de crescimento no futuro. Na Argentina o processo de roll out da marca Guaraná Antartica já está em
curso. Interessante notar que na região LAS, que tem como o principal
participante nossos vizinhos argentinos, apresentou um aumento de 28,6% na
Rol/HL em consequência de uma inflação assustadora no país. Disseram que em
relação ao fluxo de caixa operacional há expectativa que acelere para os próximos
períodos e é o que vamos monitorar.
Na foto Marcos Leta Leoni, de frequentador do BB Lanches no Leblon a Empresário fundador da Do Bem.

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