O que você achou dos resultados do Itaú Unibanco S.A. (ITUB3) em 2016? Veja os pontos positivos e negativos.

Olá pessoal!

Tudo certo com vocês?

Mais um artigo do Prateleira de Ativos e hoje vamos passar pelos resultados do Itaú Unibanco S.A. (ITUB3) referentes ao 4° trimestre de 2016 e fechamento do ano.

A análise de bancos envolve indicadores e sobretudo um racional distinto das empresas de outros setores. No caso dos bancos, o “grosso” do patrimônio líquido é traduzido por dinheiro. Desta forma, iremos adaptar a análise para a visão do negócio bancário.

Optamos neste estudo por destacar o que vimos de positivo e de negativo no balanço reportado. De maneira mais informal, pretende-se aqui simplificar a análise e torná-la de fácil entendimento até para quem nunca se quer leu um balanço de uma companhia do setor financeiro.

Bom, vamos em frente que teremos muitos destaques…

Para dar início pegaremos um resumo do que foi o ano de 2016 trazendo os dados Pro Forma, ou seja, contemplando os resultados combinados do Itaú Unibanco S.A. e do CorpBanca para períodos anteriores ao 2° trimestre de 2016, trimestre pelo qual se concretizou a união entre as instituições.

Como pode-se perceber o Lucro Líquido do trimestre Pro Forma superou o do trimestre passado e o 4° trimestre de 2015, no entanto se levarmos em conta todo o ano todo o resultado foi mais fraco.

Nos indicadores de desempenho percebe-se melhoras de curto prazo mas novamente na comparação ano x ano mostram alguma piora, mesmo que pequena. Em todos os itens de desempenho houve melhora no 4° trimestre 2016 em relação ao anterior. O retorno sobre o patrimônio, os índices de inadimplência e de eficiência melhoraram.


Em relação ao “Balanço”, na terceira coluna vemos 2 pontos negativos, a diminuição das Operações de Crédito e Depósitos + Debêntures + Obrigações por TVM + Empréstimos e Repasses.


A tendência dos números parece bastante clara com uma pequena deterioração anual mas com alguma melhora na comparação com trimestre anterior. Talvez a tendência seja de uma economia que embora não tenha engrenado, já apresenta alguma melhora com a queda da inflação e a expectativa de queda da Taxa Selic. 


Como já mencionado, o Patrimônio Líquido dos bancos em sua maioria é formada por dinheiro, com isso o indicador Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) se faz ainda mais importante para analisar o case bancário.

Pode-se notar que o indicador vem em tendência de queda desde o 4° trimestre de 2014, onde se acelerou o processo de deterioração econômica no país. Se analisarmos o 4T16 vs 3T16 há uma melhora de 0,8 pontos percentuais. Com esse nível de ROE o Itaú Unibanco ainda aparece no topo em comparação aos grandes bancos brasileiros.
Um dos principais pontos que impacta diretamente a lucratividade dos bancos é a Provisão Para Devedores Duvidosos (PDD). Esses provisionamentos se fazem necessários em caso de calote, o que é muito mais comum em um cenário aonde a alavancagem das companhias está bem mais elevada como o atual. Houve alta expressiva em 2016 nos pedidos de recuperação judicial por parte da empresas.
Se no ano de 2015 vimos uma tendência crescente em 2016 foi inverso, com leve tendência de queda. Como já comentado a PDD pode ser comparada a uma injeção que atinge diretamente a última linhas de resultados do banco, o Lucro Líquido. Por outro lado, provisões bem feitas protegem o banco em caso de aumentos mais significativos na inadimplência. O importante para o banco além de gerar resultados é se defender de qualquer tipo de imprevisto. Se esta queda de PDD continuar, traduzida por uma melhora nos índices de inadimplência será algo positivo para o negócio.
Outro ponto positivo a se destacar é o NPL Creation (mede o saldo das operações de crédito que passaram a ser inadimplentes acima de 90 dias). Percebe-se que o resultado total foi o mais baixo do ano ficando em R$ 5,304 bilhões.
Talvez os dados mais positivos do balanço do 4° trimestre de 2016 vieram dos índices de inadimplência.
Em ambos pode-se perceber melhoras. A expectativa de um arrefecimento da inadimplência pode trazer os níveis de PDD para patamares menos elevados como a companhia até divulgou em seu guidance. Mais a frente colocaremos estes números.
Vimos vários pontos positivos no balanço do Itaú até aqui. Mas como a economia está andando em marcha lenta, isso também trouxe e pode continuar trazendo reflexos negativos.
Vimos quedas na Carteira de Crédito tanto em pessoas físicas quanto em jurídicas. A queda mais acentuada foram nas pessoas jurídicas. Em America Latina também percebe-se uma retração. O importante é analisar o total, já que abrange todo o negócio do Banco. A queda foi de 11%. Talvez neste momento a atividade bancária ainda está rodando de forma lenta e mantendo aproximadamente a base reportada no 3T16. Como já falamos em outras análises como a do Banco Bradesco S.A., a atividade bancária embora seja resiliente e possa resistir bem a momentos mais adversos, apresenta um caráter cíclico seguindo índices importantes como a taxa de desemprego, inflação, taxa de juros e outros.
Quer ver como o principal concorrente do Itaú Unibanco performou neste trimestre?

Para finalizarmos a análise vamos olhar um pouco mais para um negócio do Itaú que interessa muito os acionistas de outra empresa de capital aberto listada em Bolsa, a Cielo S.A.

Estamos falando da REDE, empresa do grupo Itaú Unibanco de adquirência. Primeiramente, vamos passar pelos volumes transacionados em débito e em crédito ao longo dos trimestres:
Embora estejamos atravessando um período mais desfiador para o consumo, os volumes estão bastante resilientes ao longo dos trimestres. O que atualmente se questiona muito é que com um mercado de adquirência bem mais aberto os novos entrantes poderiam incomodar muito os líderes ganhando espaço no mercado. No balanço da Cielo S.A. vimos uma queda no POS (Point of Sales) de 9,3%.
Agora veremos qual foi o comportamento do POS na REDE:
Ao final do quarto trimestre de 2016, a base de equipamentos instalados e ativos atingiu 1.471 mil unidades, com reduções de 7,0% em relação ao trimestre anterior e 21,6% em relação ao quarto
trimestre de 2015.
 
O movimento de queda de POS verificada tanto na REDE quanto na Cielo se devem a dois principais fatores. O primeiro, é a concorrência com novos players já processando todas as bandeiras de cartões e o segundo é a mortalidade de negócios que com a deterioração da economia tendem a acelerar.
Não é um dado bom a redução de POS, mas pode-se perceber um “certo” alívio, já que em relação ao volume transacionado não vimos queda.
Conclusão:
O Banco Itaú Unibanco mais um vez mostrou a sua força trazendo números resilientes nas últimas linhas. O ano de 2016 em termos de resultados foi pior do que 2015. Primeiro porque enfrentou uma base de comparação fortíssima que foi 2015, onde muitos bancos atingiram lucros records e segundo, porque operou diante de um cenário de contínua piora na economia.
É importante destacar que já se pode notar alguma melhora ao compararmos o 3T16 com 4T16. Vimos números melhores no ROE, Inadimplência, Índice Combinado e até de lucratividade. Porém há de se ter um pouco de cautela ao comparar trimestres seguidos, já que pode ocorrer algum efeito sazonal.
A recuperação da economia é fundamental para o crescimento futuro da Companhia. Talvez hoje a gestão do Itaú ainda não consiga ver em que ponto a atividade econômica pode voltar a girar com mais força e isso está traduzido no Guidance. Deixaremos abaixo as expectativas da Empresa para 2017 e deixamos para você leitor que ficou até aqui um agradecimento por visitar o nosso site e nos dar essa oportunidade.
Um grande abraço e até o nosso próximo artigo!!

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