Reunião Apimec – Itaú Unibanco 30/05/2016

Estivemos na reunião da Apimec-Rio junto ao Itaú Unibanco. Esta reunião ocorre em vários locais do Brasil e provavelmente a sua cidade está na lista. Para o investidor é bem interessante para aprimorar o aprendizado da análise de Bancos. Fazer previsões de como estarão os indicadores como o PIB, a Selic, é sempre um exercício muito difícil mas importante para o planejamento estratégico da Companhia. Desta forma, os Bancos em geral divulgam ao mercado suas expectativas para o ano. Vamos aqui dar uma passada por algumas delas que o Banco Itaú mostrou:

PIB: – 4% em
2016 e +1% em 2017.

Desemprego:
11,1% em 2016 e 12,8% em 2017.

Inflação (IPCA):
6,9% em 2016 e 5,0% em 2017.

SELIC (final do
período)
: 12,25% em 2016 e 10,0% 2017.


Dólar: R$ 3,75 em 2016 e R$ 3,95 em 2017.
Até agora já cobrindo os
meses de janeiro, fevereiro, março e abril o IPCA acumulado no ano de 2016 está
em 3,25%. Talvez as taxas tenham que apresentar uma tendência de queda mais
consistente, ao passo que uma oscilação forte para cima pode frustrar as expectativas.

Estivemos na última reunião da Apimec-Rio com o Banco Itaú Unibanco ocorrida no dia 30/05/2016. Quem liderou a palestra foi o Diretor de Relações com Investidores Marcelo Kopel.

Independente desses tipos
de exercícios ligados a previsão de cenários e números o Banco como um todo
deve estar sendo bem gerido e olhando para frente. O Itaú na reunião mostrou
que suas ações estratégicas estão ligadas principalmente a 3 pilares: uma
carteira de menor risco, foco na prestação de serviços e uma adequada
disciplina financeira. Abordando o 1° ponto relativo a diminuição do risco da
carteira podemos ver um movimento de crescimento de 6,1 p.p. desde março de
2013 na carteira de Consignado. Hoje, ela representa 10,5% do total da carteira
de crédito do Banco. Atualmente, a carteira de América Latina representa 14,6%
da carteira total tendo crescido os mesmos 6,1 p.p. desde março de 2013 vistos
no Consignado. Os segmentos que mais sofreram retração foram Veículos com uma
forte queda de 9,0 p.p. e 4,1% de participação na carteira total e Micro,
Pequenas e Médias Empresas que sofreu retração de 5,9 p.p. e 13,9% do total da
carteira de crédito. O mix da carteira de Pessoa Física também mudou seu
perfil, em março de 2013 créditos Consignado e Imobiliário juntos representavam
23% da carteira. Hoje, representam 44% to total da carteira pessoa física. É
necessário acompanhar se de fato esta alocação traz menos risco para carteira
total. Mas a primeira vista parece uma decisão acertada, tendo em vista o menor
risco de inadimplência no crédito Consignado. E sobre o crédito imobiliário o Loan-to-Value,
que é a relação percentual entre  valor do financiamento pleiteado e o
valor do imóvel dado como garantia real no empréstimo, temos uma tendência de
mais conservadorismo. Em março de 2013 esse indicador era de 60% e hoje está em
55%. Quanto menor o LTV de uma operação de crédito, menor o risco de
inadimplência por parte do tomador.
Falando um pouco do
segmento de cartões do Itaú sendo representado pela marca Rede, continuamos com
a tendência já verificada a alguns meses de maior crescimento das transações
envolvendo débito em detrimento do crédito. As pessoas encontram-se com seus
orçamentos mais apertados e os compromissos com os juros do cartão começam a
pesar. Poderia ser uma tendência interessante, mostrando uma evolução na gestão
financeira familiar brasileira. Parece que é uma tendência que veio para ficar
e foi até comentada em uma de nossa análise anteriores, no caso o estudo da
Cielo (link do estudo:https://www.prateleiradeativos.com/2016/05/30/analise-do-momento-atual-da-empresa-2/).
Foi divulgado um comparativo muito interessante sobre o perfil geral da
carteira de cartão de crédito. 76,6% da carteira do Itaú paga a vista enquanto
a média do mercado bancário está em 68,5%. 8,1% da carteira do Itáu estão
parcelados com juros e a média de mercado está 6,3%. Por fim, os que estão no
rotativo e em atraso acima de 90 dias que no Itaú corresponde aos 15,3%
restantes e o mercado com 25,3%. Isso, demonstra um maior conservadorismo no
Banco no segmento de cartões de crédito quanto a sua exposição ao risco.

Não poderíamos deixar de
falar sobre a PDD, assunto sempre polêmico nestas reuniões. A clássica pergunta
é: para os próximos períodos já podemos ver alguma queda nas provisões? Talvez
muitos acionistas estejam ansiosos para voltar a ver os resultados pujantes dos
Bancos em períodos anteriores. A questão maior é que atividade bancária também
está atrelada aos ciclos econômicos, desta forma apresentar expansão em um
momento de contração forte do PIB é menos provável. Voltando para a PDD, o
Banco deve fazer a provisões que se façam necessárias ainda mais neste cenário
de instabilidade. Mas sem dúvida alguma a PDD alta diminuí um poucos os
resultados. Em relação a disciplina financeira vimos um resultado bom na linha
de Despesas não Decorrentes de Juros subindo apenas 3,4%, bem abaixo da
inflação média no período de 9,38%.

Olhando para a frente, o
Banco Itaú tem como visão de futuro para seu negócio o desenvolvimento
tecnológico que possibilitem transações mais eficientes em diversos tipos de
plataformas e a expansão na América Latina. Começaremos abordando sobre o
crescente movimento tecnológico que cada vez mais tem uma posição mais
relevante. Desde de 2010 os clientes digitais do Banco vem crescendo ano após
ano em taxas expressivas. Destaque para o crescimento do número de clientes que
utilizam os aplicativos nas transações com um aumento do 1° trimestre de 2015
ao 1° trimestre de 2016 de 30%. O movimento de crescimento da utilização da
internet banking também é notável, desde de 2010 a quantidade de clientes que
utilizam este tipo de canal mais do que dobrou. Aliado a isso, a Companhia vem
fazendo um movimento de melhoria das tecnologias das suas agências digitais. É
um novo conceito de agência onde não existe uma agência física mas consultores
de investimentos a disposição das 7 da manhã a meia noite de segunda a
sexta-feira. O atendimento é feito remotamente com o seu gerente de
relacionamento ou com os consultores. As opções de comunicação são através do
telefone, e-mail, SMS, chat e teleconferência. Interessante notar que este
movimento traz mais agilidade para o Banco e menores custos. No segmento Itaú
Personnalité o Índice de eficiência (quanto menor melhor) de uma agência física
é de 50% já em uma agência digital este número cai para 28%. No caso das
agências físicas do ItaúUniclass o índice de eficiência é 34% enquanto em uma
agência digital este número cai para 22%. Atualmente, 47% do total de clientes
Itaú Personnalité são atendidos por agências digitais. No ItaúUniclass este
número chega a 39% do total de clientes do segmento. Pode-se notar que há uma
mobilização para ampliação dos recursos tecnológicos oferecidos aos clientes,
embora o Banco deixe claro que o objetivo não é extinguir as agências físicas,
já que muitos clientes ainda utilizam este canal. A intenção é manter as agências
que estão próximas dos clientes que demandam este tipo de opção. A continuação
desta tendência dependerá bastante do perfil dos clientes. Em 2015
aproximadamente 100 agências foram fechadas.

Novo Data Center do Itaú Unibanco situado na cidade de Mogi Mirim, SP. Será responsável pelo processamento e armazenamento de dados do Banco até o ano 2050. O investimento desta iniciativa foi em torno de R$ 3,3 bilhões e já está em operação desde o ano passado.

Para finalizar, vamos
falar um pouco sobre as operações fora do Brasil. Em 1° de abril de 2016 a
Empresa concretizou sua fusão com o Banco CorpBanca e a marca que atuará na
linha de frente será a do Itaú. As operações com a fusão terão um incremento em
termos de crescimento bastante notáveis. A carteira de crédito e o total de
ativos crescerá 2,2 vezes e 2,3 vezes respectivamente. Ou seja, mais do que
dobrarão. Com isso, a Companhia passa a ser o 4° maior Banco do Chile com 12,1%
de participação de mercado. Enquanto na Colômbia, o Itaú Corpbanca passa a ser
o 5° maior Banco do país com 6% de participação de mercado. Vamos acompanhar
daqui para frente como será a performance desta fusão em termos de
ganhos de sinergia, além de verificar como se comportará o market share
daqui para frente.

Prédio administrativo do Banco CorpBanca no Chile.

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